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O desmonte da cultura paulista

Pelo menos para a cultura, o modelo de OS  (Organização Social) está falido. Que o controle social se dê de outra forma. Será a única maneira de poupar a cultura paulista de esbirros autoritários, das suscetibilidades do universo cultural e do amadorismo de sucessivos secretários

Por 

Grupo de empresários paulistas financia programa de aprimoramento do ensino no estado, bancando consultoria da McKinsey.

Esse apoio só foi possível depois da entrada do governo Alckmin e da nomeação do Secretário Herman Voorwald. Na era Serra o governo tornou-ser totalmente impermeável a qualquer interação com a sociedade civil – até com empresários.

Mais que isso, o novo secretário conquistou a confiança dos empresários com ideias claras sobre educação, participação e formação dos alunos. Continue reading “O desmonte da cultura paulista” »

Dossiê inédito revela abusos rumo à Copa do Mundo

 

A Pública teve acesso ao relatório feito por organizações populares das 12 cidades-sedes da Copa – e traz o documento para seus leitores. Ele diz que o povo e os seus direitos estão ficando de fora.    

Por Andrea Dip, Publica 

O clipe que propagandeia a Copa do Mundo de 2014, que será no Brasil, mostra uma mesa de reuniões de um escritório em Nova York. Um grito de gol ecoa de um lugar longinquo e um americano engravatado diz (em inglês): “Você ouviu isso?”.

O vídeo segue mostrando as nossas belezas naturais como as lindas praias do Rio de Janeiro e as cataratas de Foz de Iguaçu. O locutor termina: “O Brasil está te chamando. Celebre a vida aqui”. Continue reading “Dossiê inédito revela abusos rumo à Copa do Mundo” »

AcampaSampa: um mês sob o Viaduto do Chá

Aulas públicas, oficinas e rodas de conversa marcam ocupação — onde moradores de rua somam-se a estudantes que divergem da desilusão de seus pais 

Por Adriana Delorenzo, Revista Forum

Desde o dia 15 de outubro, cerca de 150 militantes mantêm suas barracas sob o Viaduto do Chá. É a versão paulistana do movimento global que vem ocupando diversas cidades, inclusive Nova Iorque, em Wall Street, onde as barracas foram retiradas pela polícia nesta segunda, 14. São milhares de pessoas que, em comum, têm a crença que a democracia representativa fracassou.

Em São Paulo, o acampamento se mantém organizado em comissões rotativas – de boas-vindas, de programação, de comunicação, de alimentação e de comunicação. Todas as segundas e quartas acontecem assembleias às 20 horas, onde os gestos com as mãos servem para dizer se concordam com o interlocutor, se ele está enrolando ou ainda se está desviando do assunto, entre outros sinais. Continue reading “AcampaSampa: um mês sob o Viaduto do Chá” »

Escândalo em S.Paulo: a mídia faz boquinha de siri

Por que nenhum dos jornais e TVs comerciais lança investigações sobre manipulação do Orçamento por empreiteiras e deputados, denunciada há meses?

Por Palavras Diversas

A seletividade da imprensa brasileira é a única explicação para uma denúncia de um deputado, do partido da base do governo do estado mais rico do país, São Paulo, passar em branco no noticiário, ficar ali, hibernando, em matérias esparsas.

Pois bem, o deputado estadual Roque Barbiere (PTB) denunciou um esquema de propinas pagas por emendas parlamentares na Assembleia Legislativa em que, segundo o denunciante, um em cada três deputados estariam comprometidos com os desvios de recursos do governo estadual.

O deputado foi mais além e disse que este esquema funciona há cerca de vinte anos no governo de São Paulo.
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Como se faz “Arte Fora do Museu”

Site oferece georreferenciamento inédito de obras de arte em espaços públicos de São Paulo. Como surgiu a ideia de criá-lo, e de que forma tornou-se real?

Por Andre Deak, do Jornalismo Digital

Depois de vários meses, finalmente está na rua o Arte Fora do Museu. Aproveitamos para compartilhar aqui um pouco sobre como foi feito esse projeto jornalístico multimídia.

Cada um de nós (eu e o também jornalista Felipe Lavignatti) já havia tido uma ideia semelhante sobre um site que fizesse um georreferenciamento de obras de arte em espaços públicos de São Paulo. Eu havia visto um artigo numa revista sobre os grafites do bairro da Liberdade, e desde então me incomodava que o artigo não tivesse sequer um mapa desenhado com um trajeto proposto. Um site poderia fazer isso muito bem. Continue reading “Como se faz “Arte Fora do Museu”” »

O Brasil urbano que o Censo começa a revelar

São Paulo, Rio e Recife perdem peso demográfico — mas o conjunto das metrópoles, não. Periferias não acompanham envelhecimento etário das grandes cidades

Por Observátorio das Metrópoles

A cada dez anos o Censo do IBGE revela um retrato do país. Através desse levantamento é possível saber, por exemplo, que temos hoje um país mais urbano, com mais mulheres e que crianças com idade entre 10 e 14 anos chefiam 132 mil lares no Brasil. Os recentes dados divulgados revelam também que as mudanças na população das metrópoles às vezes acompanham as mudanças nacionais, às vezes não, revelando as particularidades destes territórios.

Os primeiros dados do Censo 2010 revelam que as metrópoles não perdem população e o quadro da distribuição da população brasileira é um pouco diferente daquele que às vezes tem sido veiculado através das recentes notícias nos diversos meios de comunicação (Ver: “Censo 2010: as metrópoles ainda crescem” e “As Metrópoles no Censo 2010: novas tendências?“) Continue reading “O Brasil urbano que o Censo começa a revelar” »

Os dois sentidos do racha tucano


Por Maria Inês Nassif*

A debandada no PSDB paulista realça desimportância dos partidos, na construção da hegemonia conservadora. Mas atitude de Serra e Kassab pode dividir as elites do Estado

O curioso do desmantelamento das estruturas partidárias do establishment político paulista é que os rachas que se sucedem são um quase reconhecimento de que os partidos foram muito menos efetivos, em termos de construção e consolidação de uma hegemonia ideológica, do que propriamente os instrumentos não partidários de elaboração de cultura e convencimento, como os órgãos de imprensa.

Os políticos que saem às pencas do PSDB e do DEM, estes últimos claramente em direção ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, cujo principal patrimônio político é um mandato de prefeito da capital que acaba em 2012, estão abandonando estruturas partidárias que, juntas, monopolizaram a política do Estado nas últimas duas décadas.

Provavelmente vão construir novos partidos sem qualquer cimento ideológico, na tentativa de arregimentar um eleitorado que não é tão conservador quanto o eleitor tucano/kassabista, mas com tendências igualmente antipetistas. E fazem uma aposta de que vão esvaziar o PSDB original, agora sob o comando do governador Geraldo Alckmin, de seu maior patrimônio político: a adesão incondicional da elite paulista, mediada por uma grande imprensa sediada no Estado, ambos (elite e jornais) seduzidos pelo curriculo lattes dos quadros que não aceitam a liderança caipira do governador nascido em Pindamonhangaba, embora não exista distância ideológica relevante entre os dois grupos.

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Os bolivianos escravizados em São Paulo

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Entre as vítimas, até menores. Grupo costurava blusas da coleção outono-inverno da Argonaut, marca jovem da tradicional Pernambucanas

Reportagem de Bianca Pyl, do Repórter Brasil

A casa branca, localizada em uma rua tranquila da Zona Norte da capital paulista, não levantava suspeita. Dentro dela, no entanto, 16 pessoas vindas da Bolívia viviam e eram exploradas em condições de escravidão contemporânea na fabricação de roupas.

O grupo costurava blusas da coleção outono-inverno da Argonaut, marca jovem da tradicional Pernambucanas, no momento em que auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) chegaram ao local.

Entre as vítimas, dois irmãos com 16 e 17 anos de idade e uma mulher com deficiência cognitiva. No local, a fiscalização constatou a degradação do ambiente, jornada exaustiva de trabalho e servidão por dívida, três traços que caracterizam o trabalho análogo ao de escravo – crime previsto no artigo 149 do Código Penal. As vítimas trabalham mais de 60 horas semanais para receber, em média, salário de 400 reais mensais.

Descobriu-se que a encomenda das peças havia sido feita pela intermediária Dorbyn Fashion Ltda. – um entre os mais de 500 fornecedores da centenária rede de lojas. O flagrante, registrado em 14 de março, motivou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a cobrar cerca de 2,3 milhões de reais da Pernambucanas, soma dos valores referentes a autuações com a notificação para recolhimento do Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço (FGTS).

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A solução dos corredores verdes

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Dissertação apresentada na USP vê possibilidade de reduzir aquecimento e inundações paulistanas, se parte do espaço urbano mercantilizado for destinada a árvores

Por Caio Albuquerque, no site da Esalq 

Um estudo realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, resultou em uma proposta de criação de corredores verdes na cidade de São Paulo, interligando as subprefeituras da Mooca, Sé e Pinheiros. “A presença de elementos vegetativos urbanos melhora a qualidade de vida do cidadão, uma vez que contribui para diminuir a incidência de ilhas de calor, amenizar inundações e problemas respiratórios”, afirma a gestora ambiental Juliana Amorim da Costa, autora da dissertação Uso de imagens de alta resolução para definição de corredores verdes na cidade de São Paulo.

 

De acordo com Juliana, os corredores verdes são áreas que dispõem as árvores em formato linear, exercendo funções ecológicas (interligação com outras áreas verdes como praças e parques), estéticas (deixando o ambiente mais agradável) e culturais (tornando o ambiente propício para as atividades recreativas, favorecendo a vivência do espaço público pela população). A pesquisa foi defendida em 13 de dezembro de 2010, junto ao programa de pós-graduação em Recursos Florestais da Esalq, sob a orientação do professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, do Departamento de Ciências Florestais (LCF).

Metrô de S.Paulo: a interminável Linha 4

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Um caso emblemático de privatização de serviços públicos: a concessionária atrasa; o governo se omite; a mídia oculta

Os jornais de São Paulo deram grande destaque, no início da semana, a uma boa iniciativa da Companhia do Metrô: a reforma de trens em uso há trinta anos. As primeiras unidades reformadas entram em operação esta semana. Custam entre 30% e 40% a menos. Evitam que se produza um descarte monstruoso.

Já que se tocou no assunto, valeria a pena investigar as razões que mantêm virtualmente paralisada uma obra essencial para o transporte público metropolitano: a expansão da Linha 4, que deveria interligar todas as demais. Inauguradas há quase um ano, as duas únicas estações em funcionamento operam, até hoje, em caráter precário: apenas das 9h às 15h, de segunda à sexta. Prometidas para 2010, as estações de interligação de Pinheiros, Butantã e Luz estão vagamente prometidas para “meados de 2011″ — e não se sabe em que regime. Embora semiprontas, outras estações (Vila Sônia, Morumbi, Fradique Coutinho, Oscar Freire e Mackenzie) deverão ser abertas apenas em 2014.

A Linha 4 tem uma característica especial: não é operada pela Companhia do Metrô, mas por um consórcio privado — o CCR, constituído pelas empreiteiras Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Serveng. As críticas feitas ao modelo concessão parecem ter sido certeiras: as empresas operadoras priorizam seus lucros, não o serviço público. O governo de São Paulo acomodou-se ou tornou-se cúmplice: não exerce seu poder de exigir, da concessionária, atendimento à população.

Mas a mídia também “esqueceu” seu papel. Uma excelente pauta, trabalhosa mas muito promissora, é investigar a fundo as razões do atraso. Exige examinar os contratos entre a concessionária e o Estado. Apurar por que não se cumprem os prazos — ou de que forma eles podem estar sendo alterados, para favorecer a concessionária. Expor os prejuízos diários à população. Embora não seja o mais importante, há também sinais de corrupção envolvendo negócios do governo do Estado. A fabricante de trens Alston foi condenada na França, país-sede, por praticar irregularidades em São Paulo — outro assunto convenientemente engavetado pelos jornalões.