Israel Archive

“Eu testemunhei a violência de Israel”

Palestinos protestam contra assassinato de Mustafa

Palestinos protestam contra assassinato de Mustafa

Sindicalista brasileiro relata assassinato brutal de jovem que participava de protesto pacífico e cenas quotidianas de ódio e prepotência, além de sua própria prisão e interrogatório ilegais

Por Leonardo Severo, na CUT-Brasil

Policiais israelenses mantiveram incomunicável, sob pressão, chantagens e ameaças, “numa verdadeira tortura”, durante mais de três horas no aeroporto Internacional de Telavive, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Porto Alegre, Lírio Segalla, que viajou em missão oficial de representação da CUT ao Congresso Sindical da Federação de Sindicatos Palestinos (PGFTU).

Após ser levado a uma sala em separado no aeroporto Bem Gurion, Lírio foi submetido a um extenso interrogatório e teve seus objetos pessoais vistoriados. Sob ameaça, os policiais vasculharam o conteúdo do seu celular e do laptop, incluindo e-mails e redes sociais, anotando tudo, numa clara violação de privacidade. “Queriam saber os meus contatos, nomes, telefones, e-mails, endereços, o que eu achava de Israel e da Palestina, o que eu tinha ido fazer lá. Um insulto já ao descer do avião, na imigração”, denunciou Lírio, que é negro.

Chegado na última quarta-feira (14/12) de Ramalah, na Cisjordânia, onde permaneceu por cerca de uma semana, Lírio denuncia “a grave crise humanitária a que vem sendo submetido o povo palestino pela ocupação israelense, que toma suas terras, destrói suas casas, ergue assentamentos ilegais, usurpa, humilha”. “É uma situação muito mais absurda e criminosa do que pensamos, é uma política de terrorismo de Estado que atinge indistintamente a todos os palestinos”, frisou.

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Israel maneja a arma da sede

Ameaça de cortar energia e provocar falta d’água em Gaza pode levar conflito contra palestinos a novos níveis de radicalização

Por Eva Bartlett, da Envolverde-IPS

“A água é vida, não um brinquedo que se pode tirar só porque se tem vontade”, protestou Maher Najjar, subdiretor-geral da Empresa de Água das Municipalidades Costeiras de Gaza, a respeito da ameaça de Israel de cortar a eletricidade e outros serviços básicos neste território palestino. “Repercutirá em tudo, na água potável e na que se usa para banho, no saneamento, nos hospitais, nas escolas e nas crianças”, disse Ahmed al-Amrain, chefe de informação da Autoridade de Recursos Nacionais e de Energia da Palestina.

A Companhia Elétrica de Israel responde por 60% do consumo na Faixa de Gaza, que paga à população local por meio de impostos arrecadados por autoridades israelenses. Além disso, Gaza compra 5% de seu consumo do Egito e procura cobrir os restantes 35% com usinas solares, embora durante o bombardeio israelense de 2006 tenham sido destruídos seis de seus transformadores.

No dia 26 de novembro o vice-chanceler israelense, Danny Ayalon, ameaçou cortar a energia elétrica, a água e as ligações à infraestrutura de Gaza, que serve os 1,6 milhão de habitantes deste território palestino. “Este é o verdadeiro significado de castigo coletivo”, disse Jaber Wishah, subdiretor do Centro Palestino de Direitos Humanos. “Crianças, mulheres, idosos, pacientes, estudantes, todos são ameaçados”, acrescentou.

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Chantagem contra a Unesco

Hillary Clinton ameaça dar calote na organização da ONU para a Cultura, caso esta reconheça o estado palestino.

Por Thassio Borges, Opera Mundi

Com uma nova ameaça de ordem econômica, os Estados Unidios voltaram a defender o não-reconhecimento da Palestina como Estado pleno na ONU (Organização das Nações Unidas). Nesta quinta-feira (06/10), a secretária de Estado do país, Hillary Clinton, afirmou que os EUA poderão retirar o apoio financeiro à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) caso a entidade reconheço a Palestina como seu membro de pleno direito.

O pedido palestino na Unesco foi feito na última quarta-feira (05/10). No mesmo dia, o Conselho da entidade aprovou uma recomendação com 40 votos favoráveis de 58 possíveis.

Até o final deste mês, o pedido será finalmente aceito ou rejeitado na Conferência Geral da Unesco. Caso seja aprovado, a mudança permitirá que a Palestina apresente pedidos de reconhecimento como patrimônio mundial da humanidade de territórios palestinos que atualmente são ocupados por Israel.  Continue reading “Chantagem contra a Unesco” »

Difamacao – A Indústria do Antissemitismo

Sinopse: Assim como Norman Finkelstein, um professor estadunidense (e judeu) escreveu um livro no qual expõe como funciona o que ele chama de “A indústria do holocausto”, Yoav Shamir, um cineasta israelense (e judeu), realizou o filme documentário Defamation (Difamação) que revela o que poderíamos chamar de “A indústria do antissemitismo”. Trata-se de um filme imprescindível para entender os interesses que movimentam essa “indústria”. A verdade, como podemos depreender deste documentário, é que o antissemitismo passou a ser a fonte de riqueza e poder para muitos grupos oriundos das comunidades judaicas estadunidenses que, aliados aos interesses da extrema direita israelense, não desejam seu fim, nem seu abrandamento. Muito pelo contrário, para desfrutar de seus privilégios (e para justificar suas políticas anti-palestinas, no caso de Israel), esses grupos procuram fazer de tudo para que o antissemitismo nunca deixe de estar em pauta. Se não houver mais o perigo real (como o documentário nos dá a entender que é o que ocorre na prática), é preciso recriá-lo através de todos os mecanismos emocionais possíveis. O documentário também deixa claro que há muitos judeus, religiosos ou não, que não concordam com a manipulação do sofrimento de seus antepassados para o benefício espúrio de grupos de poder da atualidade.

Israel reprime e prepara ataque à flotilha

Cada vez mais isolado, governo de Telaviv amplia ataques a palestinos e endurece contra 1500 pacifistas de todo o mundo, que chegarão a Gaza no final do mês.

Na Prensa Latina

Forças militares de Israel irromperam hoje em várias localidades da Cisjordânia ocupada e prenderam residentes palestinos, coincidindo com a aprovação de uma polêmica lei sobre prisioneiros e ameaças contra uma flotilha humanitária. Efetivos do Exército de ocupação e da polícia entraram usando a força em Issawiya, um povoado de Jerusalém Leste, e revistaram moradias palestinas, danificando pertences de seus moradores.

Ativistas palestinos denunciaram que os militares também atacaram duas casas na aldeia Husan, situada ao oeste da cidade cisjordana de Belém, e destruíram o mobiliário.

Outros abusos da polícia israelense foram constatados em distritos da aldeia Al-Shawawra, ao leste de Belém, mas se ignoram os detalhes.

O jornal The Jerusalem Post, por sua vez, informou que militares israelenses prenderam nesta quinta-feira em sua casa de Kfar Surif, ao norte de Hebrón, Samir Qadi, deputado palestino filiado ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza. Continue reading “Israel reprime e prepara ataque à flotilha” »

Estrela egípcia no céu do Oriente Médio

 

Encerrada ditadura, país parece disposto a exercer independência e a se destacar na diplomacia da região. No Congresso dos EUA, a direita inquieta-se…

Por Jim Lobe em seu blog*, Envolverde

Enquanto congressistas dos Estados Unidos ameaçam suspender a ajuda ao Paquistão por supostamente ter dado abrigo a Osama bin Laden, cresce a preocupação quando às relações com outro importante aliado: o Egito. Washington entregou a este país uma média de US$ 2 bilhões ao ano – cerca de um terço dos quais destinado às forças armadas – desde que o Egito assinou os Acordos de Camp David com Israel, em 1979.

Isso também fez com que outras nações e instituições financeiras internacionais se mostrassem mais generosas com o Egito, cujo aval tácito sob o regime de Hosni Mubarak às polêmicas ações de Israel contra os palestinos era considerado indispensável para manter um aceitável status quo no Oriente Médio. Mas a nova política externa do governo interino egípcio, que assumiu há quase três meses, causa nervosismo em Washington, particularmente no Congresso, onde a influência do lobby israelense é especialmente forte. Continue reading “Estrela egípcia no céu do Oriente Médio” »

Israel contra a reconciliação palestina

Num caso escandaloso de chantagem, Telavive sequestra fundos e tenta bloquear caminho para a paz. Mas, após décadas, árabes parecem prontos a reconquistar apoio internacional e ofensiva diplomática

Por Mel Frykberg, Envolverde

Israel atacou o acordo alcançado no Cairo pelos dois principais partidos palestinos após quatro anos de conflitos internos, e ameaçou impor mais sanções econômicas, além do congelamento de impostos arrecadados pelo Estado judeu em nome de seu vizinho. “Acordamos formar um governo composto por figuras independentes que comecem a preparar as eleições presidenciais e parlamentares”, disse na semana passada Azzam al-Ahmad, negociador-chefe do partido Fatah, de Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

“As eleições serão organizadas dentro de alguns meses”, disse Azzam, acrescentando que a Liga Árabe supervisionará a execução do acordo. “Nossa divisão é uma oportunidade para os israelenses. Hoje viramos a página”, disse Musa Abu Marzuk, autoridade do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). O acordo assinado no dia 27 de abril tem cinco pontos e incluem forças de segurança combinadas e um governo com “figuras nacionalistas”, destacou Mahmoud al-Zahar, alto representante do Hamas que participou das conversações. Além disso, os dois partidos libertarão seus presos mutuamente. Continue reading “Israel contra a reconciliação palestina” »

Stuxnet: a era da guerra cibernética começou?

Como age o vírus de computador que atingiu as ultracentrífugas de urânio do Irã. Por que muitos exércitos já se preparam para uma nova geração de conflitos

Por Philippe Rivière, no Le Monde Diplomatique

O início deste ano, Dmitry Rogozin, embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), causou polêmica ao pedir a abertura de uma investigação sobre o Stuxnet, vírus de computador que atacou as instalações nucleares iranianas nos últimos meses. O vírus, diz ele, poderia levar a uma explosão termonuclear em Bushehr, central de produção de energia atômica no sul do país.

Essa é uma hipótese “virtual e completamente infundada”, retruca o especialista em segurança, o alemão Ralph Langner, que em setembro realizou o primeiro estudo detalhado sobre o vírus. “Em primeiro lugar, o Stuxnet não tinha Bushehr como alvo.”Na verdade, a área afetada foi Natanz, que tem 7 mil centrífugas fazendo enriquecimento de urânio. “Em segundo lugar, mesmo neste caso, ele não conseguiria interagir com os sistemas do circuito primário[circuito de água que fica em contato com a radioatividade].

Os responsáveis pelo vírus tiveram tempo (seu código fonte, com cerca de 15 mil linhas, teria exigido, segundo estimativas, dez “anos-engenheiro” de trabalho) e conhecimentos de ponta (o worm teria usado, para realizar sua transmissão, quatro vulnerabilidades inéditas do sistema operacional Windows). “A análise do código indica claramente que o Stuxnet não pretendia enviar uma mensagem ou demonstrar um conceito”, escreve Langner, “tratava-se de destruir alvos, com uma determinação de estilo militar”.

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Contagem regressiva para o Estado palestino

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Data-chave é setembro, quando Assembleia Geral da ONU poderá reconhecer oficialmente novo país. Para contestar decisão, Israel e EUA terão de assumir posição muito difícil e arriscada

Por Mel Frykberg, na Envolverde-IPS

A contagem regressiva para o nascimento da Palestina como Estado independente, em setembro, já começou. Apesar do apoio moral da maior parte da comunidade internacional, a falta de flexibilidade de Israel e um possível veto dos Estados Unidos podem frustrar os planos. “Israel e Estados Unidos se opõem ao que consideram uma declaração unilateral (palestina) e nadarão contra a maré internacional”, disse à IPS o analista Samir Awad, da Universidade de Birzet, perto de Ramalá.

“Chegou a hora de a Palestina se converter em membro permanente da Organização das Nações Unidas”, disse o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. “Nosso povo merece liberdade e independência para que possa viver em sua pátria como o restante da população mundial”, acrescentou.

A ANP vem se preparando para a criação do Estado independente nos últimos anos, construindo as instituições públicas necessárias. O primeiro-ministro palestino, Salaam Fayyad, anunciou no ano passado que levaria o caso da independência de seu pais à Assembleia da ONU em setembro deste ano. A ANP acusa Israel de agir unilateralmente expropriando continuamente terra palestina e construindo colônias judias ilegais, o que considera inaceitável. Contudo, nada pode deter o impulso da criação do Estado palestino, segundo Awad. Continue reading “Contagem regressiva para o Estado palestino” »

Líbia: nem capitalismo, nem socialismo

Apesar dos abalos continuados no Iêmen e no pequeno Bahrein, o epicentro do terremoto revolucionário agora está na Líbia. Depois de derrubar ditaduras na Tunísia e no Egito, países fronteiriços a oeste e leste, a terceira peça do dominó parece ser mesmo o estado “socialista e popular de massas”, comandado por Muammar al-Gaddafi há 41 anos.

O desdobramento da revolução árabe contesta narrativas apressadas. Alguns analistas vêem como fator causador do movimento a aliança entre as elites dirigentes e o bloco EUA-Israel. Culpam o pacto neoliberal em vigor há três décadas, entre governos servis e interesses do capital internacional. As pessoas revoltaram-se contra os regimes tunisiano e egípcio porque perceberam não passar de instrumentos a serviço do mercado global e suas usinas de desigualdade e injustiça. A insatisfação das massas diante do capitalismo e do americanismo contrastava com a dócil subserviência dos dirigentes. Esse contraste acabou por minar a legitimidade dos ditadores Zine Ben Ali e Hosni Mubarak, que sucumbiram aos primeiros fogos.

Daí a expectativa desses analistas, que a revolução tivesse por progressão solapar os governos mais pró-ocidente da Arábia Saudita, da Argélia, do Marrocos. Mas não esperavam, — pelo menos não agora e com essa fúria, — a Líbia.

Embora um dos maiores países do continente, a população líbia se espreme numa delgada faixa de praias, palmeiras e figueiras, entre o Mediterrâneo e a imensidão do sertão saariano. Conta 6,4 milhões de cidadãos, pouco mais da metade da vizinha Tunísia, cuja área é 11 vezes menor. A capital Trípoli, no oeste do país, tem o porte de uma metrópole média como Porto Alegre. Benghazi, a segunda cidade e pólo da região leste, ombreia com a litorânea Santos.

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