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O julgamento do soldado Manning

Defensores de Manning protestam contra prisão de soldado (AP)

 

Começou na sexta-feira audiência para determinar se Bradley Manning, suposto alimentador do Wikileaks, deve ser submetido à corte marcial

Por BBC Brasil

Visto como herói por ativistas antiguerra e traidor por quem alega que o vazamento colocou vidas em risco, Manning passou, em pouco tempo, de uma pessoa desconhecida a uma pedra no sapato do governo americano.

De sua cela, não muito longe da Casa Branca, Manning se converteu em uma causa célebre para ativistas de direitos humanos, bem como um símbolo para críticos progressistas da Presidência de Barack Obama.

Manning, que enfrenta mais de 22 acusações – incluindo uma de “colaborar com o inimigo” -, é acusado pelo Pentágono de transmitir ao WikiLeaks centenas de milhares de documentos oficiais relacionados às guerras do Iraque e do Afeganistão, vídeos comprometedores e milhares de telegramas do Departamento de Estado americano. Continue reading “O julgamento do soldado Manning” »

Iraque: final sem glória

Dias depois da invasão do Iraque, 70% dos entrevistados nos EUA manifestaram-se a favor, contra apenas 25%. Na amarga retirada, nove anos depois, os números trocaram de lugar

Por Jim Lobe, na Envolverde/IPS

A oficialização, na semana passada, do fim da ocupação de quase nove anos do Iraque, passou praticamente desapercebida nos Estados Unidos. Mereceu apenas uma cerimônia em Bagdá, presidida pelo secretário da Defesa do país invasor, Leon Panetta. Este ato, no dia 15, foi precedido três dias antes pela reunião em Washington do presidente Barack Obama com o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, para discutir a futura relação estratégica entre os dois países. Também a este encontro ninguém prestou atenção.

Esta surpreendente falta de interesse pode ser explicada pela distração causada pela temporada de férias de fim de ano, a campanha eleitoral pela Presidência ou a má saúde das economias dos Estados Unidos e da Europa. Também pode ser que a população esteja bem consciente de que, apesar de os últimos quatro mil soldados que ainda restam no Iraque retornarem nos próximos dez dias, ainda há mais de 90 mil no Afeganistão.

No imaginário coletivo, esta situação não difere da do Iraque, particularmente porque as tropas foram enviadas aos dois países pelo então presidente George W. Bush (2001-2009) como parte de uma mesma “guerra mundial contra o terrorismo”. Ou, talvez, os norte-americanos simplesmente se esqueçam disto como se tivesse sido um pesadelo, o que o ex-titular da Agência de Segurança Nacional, o hoje falecido tenente-general William Odom, chamou em 2005 de “o maior desastre estratégico na história dos Estados Unidos”. Continue reading “Iraque: final sem glória” »

Misteriosa rede empresarial chinesa avança sobre recursos naturais africanos

Conglomerado chinês na África não cumpre promessas de investimento em infraestrutura e se envolve em negociações obscuras com governos repressivos. Difícil é descobrir onde começa a empresa privada e onde termina o Estado chinês

Por Beth Morrissey, Ojha Himanshu, Rena Laura Murray e Patrick Martin-Menard, para o Center for Public Integrity*, Publica

Durante séculos, investidores estrangeiros devassaram a África à procura dos lucros oferecidos pelas abundantes reservas de petróleo e de minerais preciosos. Muitos deixaram rastros de corrupção e não cumpriram promessas de compartilhar a riqueza com os africanos.

É por causa deste passado que um conglomerado tem chamando a atenção da opinião pública do continente, ocupando as manchetes de jornais em diferentes países da África. Continue reading “Misteriosa rede empresarial chinesa avança sobre recursos naturais africanos” »

Guerra por controle remoto: conheça os fabricantes

Dez anos depois do primeiro ataque aéreo realizado por um avião sem tripulantes, representantes das empresas que os fabricam reúnem em Londres

Por Chris Wood, do Bureau of Investigative Journalism | Tradução Publica

O general da reserva dos EUA Kenneth Israel tinha pouco tempo para um punhado de manifestantes contra aviões não tripulados que se reuniam do lado de fora de um hotel luxuoso em Londres. Lá dentro, acontecia uma conferencia do setor que fabrica essas armas. Onde, perguntou ele, estão os protestos contra as armas que matam soldados aliados todos os dias nos fronts de guerra?

“Onde está a moral em usar indiscriminadamente bombas caseiras? Vocês acham isso uma guerra justa? Até hoje nenhuma matéria foi escrita sobre a mortalidade das bombas caseiras”, ele disse ao Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública. “Os aviões sem tripulantes são tão imorais quanto as bombas caseiras que estão sendo usadas regiões onde, no final, civis acabarão perdendo suas vidas”. Continue reading “Guerra por controle remoto: conheça os fabricantes” »

É o emprego, “cara”…

Curiosamente, Obama, o criador do honroso apelido, faz  uma espécie de mea culpa por demorar quatro anos para entender a mensagem de seu então “colega” -- o trabalhador Luiz Inácio Lula da Silva

Por Delfim Netto, Carta Capital

De todos os desperdícios de recursos naturais de uma sociedade, nenhum é mais injusto, mais prejudicial à integração social e à autoestima do cidadão do que negar-lhe a oportunidade de viver honestamente e sustentar a família com o resultado do seu trabalho. É por isso que a construção de uma sociedade mais “justa” começa pela maximização do nível de emprego.

Não se imagina que em uma organização econômica como a que vivemos todos terão emprego a um só tempo, mesmo nos períodos mais dinâmicos de crescimento. Sempre haverá fases de acomodação do nível da atividade podendo gerar uma taxa de desemprego friccional que a sociedade “justa” tem de socorrer com as políticas sociais do Estado.

Há quatro anos a sociedade americana viu-se envolvida em uma séria crise bancária que em poucas semanas eliminou milhares de empregos no setor financeiro, antecipando a tragédia que em alguns meses suprimiu perto de 15 milhões de postos de trabalho nos demais setores da economia. Países da Comunidade Europeia sofrem hoje de forma dramática o agravamento de uma crise de origens similares, sob ameaça de desmoronamento dos pilares de sua principal construção, o sistema do euro. No mundo inteiro, algo como 30 milhões de trabalhadores não recuperaram os empregos incinerados desde a crise de 2008/2009.

As consequências de ordem política e institucional estão revelando-se na medida em que os cidadãos ocupam as ruas das maiores metrópoles do Ocidente, cobrando respostas das lideranças globais, aparentemente perplexas e atordoadas. É surpreendente, mas reveladora deste estado de coisas, a explicação e o mea culpa atribuídos ao ministro da Economia da Grécia, Michalis Chryssohoidis: “Nossa situação é desesperadora, porque reduzimos de forma bastante drástica a renda das pessoas”. Continue reading “É o emprego, “cara”…” »

Suprema Corte dos EUA: baixar música na internet é legal

Derrotada posição de órgão semelhante ao ECAD, para o qual indústria não pode viver se público tiver liberdade

Por Movimento Cultura Digital

Esta notícia, veiculada no Jornal Zero Hora, que outrora foi indevidamente intitulada “EUA decide que download de música não precisa ser pago”, mas que agora está renomeada de maneira a esclarecer melhor a questão, é certamente um precedente importante na discussão sobre propriedade intelectual e obras digitais. Também publicada no Jornal El Pais, no caderno de Cultura, sob o título “El Supremo de EE UU ratifica que descargar música no equivale a reproducirla” (Supremo Tribunal Estadunidense ratifica que baixar músicas não equivale a reproduzí-las indevidamente), a notícia impactou muitos internautas e levantou novamente a questão: trocar arquivos digitais é crime?

Vejamos na íntegra como foi publicada pelo jornal Zero Hora: Continue reading “Suprema Corte dos EUA: baixar música na internet é legal” »

Chantagem contra a Unesco

Hillary Clinton ameaça dar calote na organização da ONU para a Cultura, caso esta reconheça o estado palestino.

Por Thassio Borges, Opera Mundi

Com uma nova ameaça de ordem econômica, os Estados Unidios voltaram a defender o não-reconhecimento da Palestina como Estado pleno na ONU (Organização das Nações Unidas). Nesta quinta-feira (06/10), a secretária de Estado do país, Hillary Clinton, afirmou que os EUA poderão retirar o apoio financeiro à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) caso a entidade reconheço a Palestina como seu membro de pleno direito.

O pedido palestino na Unesco foi feito na última quarta-feira (05/10). No mesmo dia, o Conselho da entidade aprovou uma recomendação com 40 votos favoráveis de 58 possíveis.

Até o final deste mês, o pedido será finalmente aceito ou rejeitado na Conferência Geral da Unesco. Caso seja aprovado, a mudança permitirá que a Palestina apresente pedidos de reconhecimento como patrimônio mundial da humanidade de territórios palestinos que atualmente são ocupados por Israel.  Continue reading “Chantagem contra a Unesco” »

A imperdível volta de Fernando Morais a Cuba

Aos 65 anos, o escritor mineiro atinge seu melhor nível formal, numa narrativa cinematográfica – além de impagáveis incursões ao humor, como na caracterização de García Márquez como dublê de diplomata internacional

Por Maurício Caleiro de Cinema & Outras Artes

É uma leitura fascinante a que nos oferece o último livro de Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria (Companhia das Letras).

A pretexto de retratar a infiltração de agentes castristas entre as organizações terroristas mantidas, em Miami, por cubanos no exílio, o livro oferece um saboroso painel humano e uma introdução realista ao complicado xadrez geopolítico jogado por Cuba e EUA nos estertores da Guerra Fria.

O resultado é um exame aguçado das relações entre o país caribenho e a então maior potência mundial durante o chamado “período especial”, nos anos 90 – em que, ante o colapso soviético, Cuba teve de se reinventar como atração turística internacional para salvar sua economia.

Apoiado em farta documentação, a obra reconstitui a escalada da violência anti-castrista, baseada em violação sistemática do espaço aéreo cubano (para fins propagandísticos ou por mera provocação) e em ataques terroristas a alvos turísticos, visando espalhar o pânico e minar o fluxo de capital estrangeiro na ilha – tudo sob o silêncio cúmplice dos EUA. (Visto sob a perspectiva histórica pós-11 de setembro, o alerta de Fidel Castro a Clinton de que tais ataques tinham de ser combatidos, pois no futuro qualquer país poderia ser vítima deles, soa não só premonitório, mas como mais uma evidência da leniência dos EUA com sua própria segurança interna).

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Wikileaks: EUA tentaram sabotar Amorin

Documentos revelam: para desestabilizar ex-chanceler, embaixada norte-americana contava, principalmente, com então ministro Nelson Jobim

Por Marina Amaral e Natalia Viana, em Publica

Aos olhos do serviço diplomático dos Estados Unidos, em especial durante a era Bush, a posição independente do Ministério das Relações Exteriores, capitaneado por Celso Amorim, hoje ministro da Defesa, parecia uma constante provocação. Nos telegramas vazados pelo WikiLeaks, o MRE é acusado de dificultar as relações bilaterais por suas “inclinações antiamericanas”, definidas por um ministro “nacionalista” e um secretário-geral “antiamericano virulento” (Samuel Pinheiro Guimarães), e secundado por um “acadêmico esquerdista” (Marco Aurélio Garcia), conselheiro de política externa do presidente Lula.

“Manter a relação político-militar com o Brasil requer atenção permanente e, talvez, mais esforço do que qualquer outra relação bilateral no hemisfério”, desabafava o embaixador John Danilovich, em novembro de 2004.

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Clima: a ONU questiona Washington

1233 ONU pede redução de emissões e critica Estados Unidos

A seis meses da conferência da África do Sul,que deverá substituir o Protocolo de Kyoto, pergunta-se: os Estados Unidos continuarão se negando a assumir compromissos? No site do Greenpeace

Restam pouco mais de seis meses para a Conferência do Clima (COP 17), na África do Sul, e para a presidente da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Christiana Figueres, este é o momento dos países concentrarem esforços para acelerar as negociações climáticas.

Segundo a costa-riquenha, que está em visita aos Estados Unidos, é preciso fortalecer as condições internacionais que permitem políticas de redução de emissões e que estabelecem as plataformas para que os países trabalhem em conjunto para o bem comum. Continue reading “Clima: a ONU questiona Washington” »