Em entrevista à BBC, historiador compara Primavera Árabe a movimentos que sacudiram Europa em 1848 – mas lembra que novas revoltas não serão iguais às previstas pelo marxismo
Por Andrew Whitehead
A classe média foi a grande protagonista e força motriz das revoltas populares e ocupações que marcaram o ano de 2011. Esta é a opinião de Eric Hobsbawm, um dos mais importantes historiadores em atividade.
Em entrevista à BBC, o historiador marxista nascido no Egito, mas radicado na Grã-Bretanha, afirma ainda que a classe operária e a esquerda tradicional – da qual ele ainda é um dos principais expoentes – estiveram à margem das grandes mobilizações populares que ocorreram ao longo deste ano.
”As mais eficazes mobilizações populares são aquelas que começam a partir da nova classe média modernizada e, particularmente, a partir de um enorme corpo estudantil. Elas são mais eficazes em países em que, demograficamente, jovens homens e mulheres constituem uma parcela da população maior do que na Europa”, diz, em referência especial à Primavera Árabe, um movimento que despertou seu fascínio.
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Reportagem sobre alguns dos aspectos mais instigantes das revoltas no Oriente Médio: a presença feminina autônoma, as primeiras vitórias e a luta para evitar deriva fundamentalista.










