desigualdades sociais Archive

Presídios: o que você tem a ver com isso?

 Em pouco mais de uma década e meia o número de pessoas encarceradas mais do que triplicou. Continuamos prendendo sempre, e cada vez mais, o mesmo público: pessoas pobres

Por Rodrigo Puggina*, no Sul21

Todos sabem que a população carcerária do nosso país vem aumentando vertiginosamente. Para que tenhamos noção, em pouco mais de uma década e meia o número de pessoas encarceradas mais do que triplicou, superando o número de meio milhão de pessoas presas. Acrescentando-se aí o número de pessoas que cumprem pena ou medida alternativa, como prestação de serviço à comunidade, por exemplo, passamos facilmente do número de 1 milhão de pessoas.

O resultado de uma sociedade que não consegue achar outras formas de resolver seus conflitos não poderia ser outra. Curiosamente, quanto mais prendemos pessoas, mais aumentamos a violência. E, por conseguinte, mais gastamos dinheiro com um sistema que está falido há tempos – não é por menos que para o ano que vem gastaremos incalculáveis bilhões com esta estrutura policial, criminal e penitenciária novamente. Como dizem vulgarmente, é o mesmo que enxugar gelo. Ou pior, já que um dia o gelo acaba, enquanto que na questão prisional só temos feito piorar.

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Dois perdidos

 

Por Maringoni, na Carta Maior

Brasil: a hora dos serviços públicos

Presidente do IPEA lança estudo que revela: economia pode ultrapassar França e Alemanha em breve — mas faltam políticas para assegurar vida digna para a maioria 

Por Marco Antonio L. | no Brasil de Fato

“O Estado brasileiro não tem um padrão de funcionamento, devemos fazer um destaque à sua insuficiência e, de certa maneira, à ineficiência de políticas públicas em determinados aspectos”. A posição é de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), exposta durante apresentação do estudo “A presença do Estado no Brasil”, nesta terça-feira (10), na capital paulista. Longe de criticar a presença e a intervenção do Estado, o que o estudo sugere é um desafio de ações mais efetivas no combate a desigualdades e ao subdesenvolvimento que persiste no país, apesar do avanço econômico.

Em novembro e dezembro de 2011, diferentes institutos privados internacionais divulgaram estudos apontando que o Brasil passou o Reino Unido como sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) – a soma das riquezas produzidas durante um ano por um país – do mundo. A crise do país europeu e o crescimento brasileiro apesar das instabilidades externas provocou o cenário favorável, mas não significam que as mazelas sociais foram superadas. Continue reading “Brasil: a hora dos serviços públicos” »

Doméstica, profissão em declínio

Leila Ramos Barbosa

Num sinal de melhora econômica e mudança nas relações sociais, ocupação declina no Brasil, perde trabalhadores e pode se restringir a serviço de luxo

Por Júlia Dias Carneiro na BBC Brasil

 

O crescimento econômico brasileiro vem estimulando a migração de empregadas domésticas para outros setores da economia, como empresas de telemarketing, supermercados ou clínicas hospitalares.

Nas seis principais metrópoles do país, onde mais de 1,6 milhão desempenham serviços domésticos, a tendência tem sido de queda consecutiva no número de empregados no setor desde setembro, aponta o economista Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) com a possível migração para outros setores. Nos últimos 12 meses, após alguns anos de sobe-desce, as estatísticas mostram que a categoria perdeu 81 mil pessoas, a maioria em empregos sem carteira assinada

“Ao longo da última década, houve um encolhimento do setor informal da economia, e acredito que as domésticas também estejam seguindo este caminho. É provável que outros setores estejam ‘roubando’ essas trabalhadoras, que estão procurando emprego com carteira assinada”, analisa.

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Impostos: ricos contribuem muito pouco

 

Brasil tem taxação “leve” dos salários mais altos, diz estudo internacional. Carga tributária recai sobre impostos indiretos, os mais injustos. Reforma em debate no governo mantém problema

Por André Barrocal, em Carta Maior

O Brasil tributa a renda e o patrimônio das pessoas menos do que outros países, com uma carga fiscal concentrada nos chamados impostos indiretos, aplicados sobre a compra de bens e serviços, o que prejudica os mais pobres, que não conseguem guardar dinheiro. E, quando taxa a renda, alivia os grandes salários e morde mais forte contracheques menores, segundo estudo de abrangência internacional divulgado nesta terça-feira (21/06).

Comparado aos países do G-8, grupo que até pouco tempo atrás reunia as economias mais ricas do mundo, o Brasil só ganha da Rússia no quesito “taxação de salário alto”. Todos os outros tributam mais: Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Canadá e Itália.

Enquanto a Receita Federal brasileira morde 26% do salário dos ricos, a Itália leva 46%, a Alemanha 44%, França 41%, Reino Unido 39%, Canadá 35%, EUA 30% e Japão 28%. Continue reading “Impostos: ricos contribuem muito pouco” »

Retratos do trabalho infantil no Brasil

Para cumprir os Objetivos do Milênio, seria preciso erradicá-lo, até 2015. Porém, 4 milhões de brasileiros entre 5 e 17 anos trabalham — 30% deles, mais de 40h semanais.

Por Expedito Solaney, no Escrevinhador

No dia 12 de junho comemorou-se o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), órgão das Nações Unidas, pediu aos países membros que sejam tomadas medidas urgentes para erradicar o trabalho infantil perigoso que, neste momento, afeta cerca de 115 milhões de crianças em todo o mundo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) detectou a existência de mais de 4 milhões de brasileiros com idades entre 5 e 17 anos que trabalham, dos quais 30% têm uma jornada semanal superior a 40 horas.

Expedito Solaney, secretário nacional de Políticas Sociais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), acaba de divulgar artigo seu, “Erradicar o trabalho infantil no Brasil!”, que contém dados e informações muito importantes sobre o assunto. O trabalho infantil não está restrito ao campo ou a carvoarias. Nas áreas urbanas ocorre muito trabalho de crianças, não raramente imposto por pais ou familiares ou por instituições tidas como respeitáveis. Vale a pena ler o artigo, que reproduzo a seguir (Pedro Pomar). Continue reading “Retratos do trabalho infantil no Brasil” »

País de ricos e miseráveis

Pesquisadores debatem as motivações e os efeitos possíveis do programa Brasil sem miséria, lançado pelo governo federal. E lembram: mesmo sendo a 7ª economia mundial, país tem 44 milhões de pessoas pobres

Por Raquel Júnia, para a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)

O lançamento do programa Brasil sem miséria, na semana passada, pela presidente Dilma Roussef, propõe um exercício de imaginação. “Já pensou quando acabarmos de vez com a miséria?”, dizem as peças publicitárias sobre a nova estratégia governamental. As propagandas associam ainda o crescimento do país ao fim da pobreza extrema, meta que o governo pretende cumprir. São consideradas como miseráveis absolutas as pessoas que vivem com até R$ 70 reais mensais. Pelos dados divulgados pelo governo no lançamento do programa, há 16,2 milhões de pessoas nessa situação e outras 28 milhões em situação de pobreza. Pelos dados do Programa para as Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), de 2010, o Brasil está entre os sete países mais desiguais do mundo, apesar de estar também entre os sete gigantes da economia mundial. Os dados mostram que as contradições e os desafios são muitos. É possível que o exercício de imaginação proposto pelo governo federal se torne realidade?

De acordo com o decreto que institui o Brasil sem miséria, o programa tem três objetivos, todos destinados à população extremamente pobre: elevar a renda per capita; ampliar o acesso aos serviços públicos; e propiciar o acesso a oportunidades de ocupação e renda, por meio de ações de inclusão produtiva. Constituem ações do programa a expansão de políticas já existentes como ‘Bolsa-família’, ‘Luz para todos’, ‘Rede Cegonha’ e ‘Brasil Alfabetizado’, entre vários outras. A inovação, segundo o governo, está sobretudo, no fato de que pessoas que até então não são contempladas por nenhuma dessas políticas por fazerem parte de “uma pobreza tão pobre que dificilmente é alcançada pela ação do Estado” passarão a ser, já que será feita uma busca ativa para encontrá-las. Estão previstas também ações diferenciadas para a cidade e para o campo, onde a previsão é garantir assistência técnica. “Assim, todo o país vai sair lucrando, pois cada pessoa que sai da miséria é um novo produtor, um novo consumidor e, antes de tudo, um novo brasileiro disposto a construir um novo Brasil, mais justo e mais humano”, diz a apresentação do programa.
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Minha Casa, Minha Vida: a vez do campo

 

Movimentos sociais reivindicam nova fase do programa — agora, sem excluir áreas rurais, que necessitam de pelo menos 1,5 milhões de moradias

Pela União Nacional pela Moradia PopularUNMP

Nos próximos dias está sendo definida a nova tabela de valores da política de habitação brasileira dentro da segunda etapa do programa “Minha Casa, Minha Vida”. O déficit habitacional rural no Brasil é de cerca de 1,5 milhão de unidades, mas os valores destinados ao seu combate são irrisórios. Desde a primeira versão do programa, a moradia rural recebe um tratamento desigual, com menos de 1,5% do subsídio total do programa e valor unitário por moradia muito abaixo da política de habitação social urbana: 15 mil reais para o rural e até 52 mil reais para o urbano, na faixa de 0 a 3 salários mínimos”, afirma documento firmado, esta semana, pela União Nacional pela Moradia Popular (UNMP) e dezenas de outras entidades — entre elas,  MST, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp), a União Nacional por Moradia Popular e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

“A diferença na tabela do “Minha Casa, Minha Vida” é injustificada, pois mesmo somados custo de terreno e infra-estrutura urbana eles não correspondem a tal defasagem”, avaliam os movimentos sociais
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A Bolívia que se move

Bloqueio de estrada feito pela COB que presenciei nos arredores de El Alto

Breves impressões sobre um país onde os excluídos perderam o medo — e, às vezes, não percebem que os inimigos ainda têm poder…

Por Cláudio Ribeiro, no Palavras Diversas

Em viagem de férias a Bolívia e Peru, passei dois dias em La Paz, para me adaptar à altitude e, também, claro, ver de perto a nova Bolívia de Evo. O que pude perceber é que a região da capital boliviana passa por obras, parece reconstruir-se.  São muitas obras, em uma região de pobreza e exclusão históricas.  Na Bolívia a riqueza concentra-se em Santa Cruz de La Sierra, uma espécie de São Paulo conservadora e voltada para Miami deles.

Nas minhas voltas pelas ladeiras íngremes e com ar rarefeito de La Paz, encontro pobreza, mas também as obras que mencionei.  Na região de El Alto, a caminho de Tiwanaku, vi, em fase final, o prédio da Universidade Pública de El Alto, uma promessa de campanha de Evo, prestes a ser inaugurada.  Pode parecer pouco, muito pouco, mas para um país sempre governado a partir de Miami, por uma elite que sempre teve asco dos indígenas, pessoas com a cara de Evo que dominam a paisagem das regiões mais populosas do país, incluindo La Paz, é muita coisa, é uma obra histórica! Continue reading “A Bolívia que se move” »

Os adoradores do mercado e os mortos no Rio

O que a próxima reunião do Copom tem a ver com a tragédia fluminense

Por Altamiro Borges, no Blog do Miro

As cenas na televisão são chocantes, entristecedoras, revoltantes. Corpos sendo carregados em cobertores, em pedaços de pau. Pessoas chorando os seus familiares mortos. Casas destruídas, ruas tomadas pelas águas barrentas, alojamentos precários lotados por famílias de desabrigados. A população do Rio de Janeiro, em especial da sua região serrana, está em luto.

Menos de um ano após a tragédia que matou mais de 160 pessoas em Niterói e outras 250 no Estado, em abril passado, e um ano depois das mais de 50 mortes em Angra dos Reis, o estado é novamente vítima do descaso das autoridades. Até o final desta noite (12), Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis e outros municípios da região serrana já contabilizavam 257 mortos.

As vítimas do capitalismo

Nas entrevistas para as emissoras de televisão, somente pessoas simples, trabalhadoras, relatam suas perdas. Os moradores das áreas carentes, como do bairro do Caleme, em Teresópolis, perderam tudo. Onde existiam casas, construídas com muito esforço, agora só há barro e escombros. Alguns ainda resistem em deixar suas casas nas áreas de risco, temendo perder seus poucos bens.

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