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Comunicação: o que muda com o Conselho da Bahia

Criação pioneira do órgão, que inclui representantes da sociedade civil, indica que direito dos cidadãos precisa ser garantido por políticas públicas — e não ficar à mercê do mercado

Por Eliane Costa, no Vermelho

“Hoje é um dia histórico para o povo baiano e uma conquista do movimento social. O Conselho de Comunicação que hoje toma posse representa um avanço no caminho de se compreender a comunicação como um direito humano. A criação do Conselho de Comunicação significa que o Estado reconhece que a comunicação é um direito de todos os baianos. Muito me honra ser conselheira do primeiro Conselho Estadual de Comunicação do país e isso só é possível pela conquista de uma Bahia livre como a que temos hoje”, comemorou a secretária de Comunicação do PCdoB na Bahia, Julieta Palmeira, uma das principais articuladoras da criação do Conselho, participando inclusive do grupo de trabalho que elaborou o projeto de sua criação.

A instalação do Conselho foi celebrada também pelo secretário estadual de Comunicação, Robinson Almeida, que considera a criação do órgão como um passo importante para a consolidação da democracia no Brasil. “É um passo importante também para avançar no entendimento de que não deve haver nenhuma área em que a sociedade não possa participar das discussões sobre o seu funcionamento. A sociedade tem uma visão muito limitada da comunicação como informação e notícia, mas nós queremos mostrar que a comunicação é uma área muito mais ampla, que também precisa de investimentos e políticas públicas. A comunicação é um direito humano e temos que trabalhar para que ela chegue para todos”, disse. Continue reading “Comunicação: o que muda com o Conselho da Bahia” »

Entre Hamlet e Dom Quixote

A luta pela democracia na Rússia é dura, mas há desdobramentos positivos, entre eles, o crescimento do ativismo político e da decepção com a autocracia

Por Maurício Santoro, Todos os Fogos o Fogo

Neste mês se completam 20 anos do fim da União Soviética e é bastante simbólico de que o aniversário seja marcado pelos maiores protestos pró-democracia na Rússia desde as mobilizações que levaram à queda do regime marxista. Sinal dos tempos, agora o Partido Comunista é uma das vozes que se manifestam contra a autocracia baseada em controle da imprensa, fraude eleitoral e perseguição de opositores (incluindo assassinatos) controlada pelo primeiro-ministro Vladmir Putin.

Olhando em retrospecto, o período de 1990-3 foi o de um extraordinário interlúdio de pressões populares por abertura democrática, que culminaram com a resistência pacífica e bem-sucedida à tentativa de golpe de Estado da linha dura soviética (1991). Significativo que apenas dois anos depois, o líder dos protestos, Boris Ieltsin, tenha se convertido no algoz que mandou bombardear o parlamento da Rússia.

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Mídia: lições de uma provável reforma na Inglaterra

Por que um jornalista liberal defende regulamentar o acesso aos meios de comunicação. Quais os riscos, para a democracia, de uma imprensa sem lei

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Martin Wolf, colunista do Financial Times, é um dos grandes jornalistas britânicos. Os cabelos brancos mostram sua senioridade, e  a forma e o conteúdo dos textos explicam sua reputação.

Li com atenção em dobro um artigo seu sobre um tema especialmente complicado: a regulamentação da mídia. Não à toa, espalha-se sempre a desconfiança de que o Estado esteja interessado em manietar a mídia quando fala em regulá-la.

Mas não há como evitar o assunto, por mais desagradável que seja. Deve haver regras para tudo, incluída a mídia. E elas podem e devem mudar de acordo com novas circunstâncias.

Wolf entende que o caso News of the World, com a violação da caixa postal de celulares de milhares de pessoas, é uma oportunidade de atualizar a legislação da mídia no Reino Unido. “Aproveitemos a chance para a reforma da mídia” é o título do texto.

Ele é franco para dizer, logo de cara, que é daqueles a quem incomoda o acúmulo de poder nas mãos de Rupert Murdoch. Tal poder é, para Wolf, “intolerável”. “Mídia diversificada exige propriedade diversificada”, afirma ele. Continue reading “Mídia: lições de uma provável reforma na Inglaterra” »

Os hackers da política

Ao invés de apenas lançar críticas contra a crise da representação, um coletivo de ativistas prepara-se para viajar pelo país mostrando à população que é possível apropriar-se de dados do Estado, e interferir sobre eles

Do Blog do Paraná

Para uma nova sociedade conectada, um novo modo de fazer política. É o que propõe o movimento Transparência Hacker. Um coletivo de programadores, estudantes, jornalistas, advogados e ciberativistas que produzem tecnologias sociais para fiscalização, acompanhamento e participação cidadã nas políticas públicas e funções de governo.

Para eles, conectar é possibilitar colaboração, e permitir colaboração é reconstruir a participação democrática no âmbito de Estado ou fora dele; em suma: abrir, por meio da tecnologia, o processo político para a participação de todos. Para dar substância prática a essa pretensão revolucionária, produzem aplicativos e programas a partir de dados governamentais – sempre de modo aberto, fragmentado e colaborattivo – em rede. Continue reading “Os hackers da política” »

O jornalismo vai às bases de dados

Professora Suzana Barbosa (UFBA) sustenta: sociedades ganharão muito, se jornalistas se debruçarem sobre certos números — e o que eles relam a respeito das relações sociais
Por Amanda Lopes, Jornalismo Digital

Milhares de documentos chegaram às mãos dos jornalistas no meio do ano passado. Eram informações bombásticas, vazadas pelo site da organzinação Wikileaks, mas elas eram realmente milhares. Resultado: era preciso lidar com aquele volume de informações e buscar maneiras de usá-las da melhor forma.

O caso do Wikileaks evidenciou o uso dos bancos de dados no jornalismo, algo que está crescendo e representa a “quarta geração” do jornalismo digital para a professora Suzana Barbosa (@suzanabarbosa), do departamento de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Para ela, ainda há muito o que se explorar “em relação à apuração, à descoberta de informações contidas em bases de dados e que podem fazer a diferença em reportagens”.

Suzana estuda o jornalismo digital em bancos de dados a partir de como isso ajuda na construção e gestão de produtos jornalísticos, além das formas de apresentação desse conteúdo.

O Brasil está preparado para isso? Temos bases de dados livres para fazer esse tipo de trabalho? Confira a íntegra da entrevista da professora Suzana: Continue reading “O jornalismo vai às bases de dados” »

Islândia: nova Constituição em redes sociais

Depois de vencer crise financeira enfrentando banqueiros, pequeno país inova e busca democracia que supere a representação

Por Paula Thomaz, na Carta Capital

Três anos depois de passar por uma crise financeira que derrubou o primeiro-ministro Geir Haarde, quebrou vários dos bancos nacionais e causou uma queda drástica do valor da moeda local, a Islândia aos poucos tenta se reerguer. E o passo mais incisivo para a volta por cima tem sido a discussão para a criação de uma nova Constituição que dê novos ares à base legal do estado islandês. E com uma grande novidade: esta nova Constituição está sendo discutida via as redes sociais da internet.

Com 320 mil habitantes, o equivalente à cidade brasileira de Vitória (ES), e com dois terços dessa população conectada, a discussão para a nova Constituição islandesa se dá por meio de vídeos do YouTube em tempo real, que mostram os debates do Conselho, fotos no Flickr, pequenas frases no Twitter, no site oficial dos temas (em islandês e em inglês), e no Facebook é que as ideias estão abertas para discussão. Em entrevista à Associated Press, o porta-voz do projeto de revisão constitucional Bernhard Berhildur Morris, disse que é possível registrar a participação da população por todas as redes sociais, “mas principalmente pelo Facebook”.

Os trabalhos para a criação da nova Constituição começaram a partir de um Fórum Nacional em que 950 islandeses passaram a discutir as leis básicas. Daí, gerou-se um relatório com mais de 700 páginas que está sendo analisado pelo Conselho Constitucional Islandês, composto por 25 pessoas, que recorreram às redes sociais para divulgação e recebimento de sugestões do público.

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Sinais de democracia participativa

Reportagem sobre as conferências nacionais, conselhos, ouvidorias e mesas de diálogo —  espaços em que a sociedade promove debates muito mais ricos que os do Congresso Nacional, e de onde saem políticas públicas efetivas

Por Simone Biehler Mateos, em Desafios (IPEA) 

Mais de cinco milhões de pessoas ajudaram a formular, implementar ou fiscalizar as políticas públicas no Brasil

Pouca gente, além dos diretamente envolvidos, sabe que boa parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), todo o Programa Nacional de Habitação, o plano de expansão das universidades públicas, o ProUni, a criação do Sistema Único de Assistência Social (Suas), as políticas afirmativas contra a discriminação racial, de mulheres e minorias sexuais e o amplo conjunto de medidas que impulsionaram enormes avanços na agricultura familiar nos últimos anos foram formulados e decididos com a participação direta de milhões de brasileiros, por meio de inúmeros canais criados ou ampliados para consolidar a democracia participativa no país.

Só as 73 conferências nacionais temáticas realizadas para debater políticas públicas envolveram, em seus vários níveis, cerca de cinco milhões de pessoas. Mais da metade dos conselhos nacionais de políticas públicas que contam com participação popular foram criados ou ampliados nos últimos oito anos.

A participação popular na elaboração, implementação e fiscalização das políticas públicas ganhou amplitude sem precedentes, contribuindo para aumentar tanto a eficácia e abrangência das ações públicas, como a capacidade de formulação dos movimentos sociais. Continue reading “Sinais de democracia participativa” »

Marrocos: a nova Constituição e seus limites


Todos os domingos os manifestantes pró-democracia tomam as ruas de cidades marroquinas

Plebiscito decidirá sobre Carta, proposta pelo rei. Ela reduz poder do monarca, institui regime parlamentarista e ameniza influência islâmica. Para parte do movimento pela democracia, é pouco

Por Lamia Oualalou, Opera Mundi

Exatamente quatro meses após o começo dos protestos no Marrocos pela redução dos poderes do rei, foi lançada nesta segunda-feira (20/06) a campanha eleitoral para o referendo da reforma constitucional. Catorze milhões de marroquinos decidirão em 1º de julho se ratificam ou não o projeto apresentado na sexta-feira (17/06) pelo rei Mohammed VI.

O texto, que foi elaborado por especialistas após dois meses de consultas com partidos políticos, sindicatos e ONGs, busca preencher as demandas do “Movimento 20 de Fevereiro”, cujo nome faz referência à primeira grande manifestação pró-democracia, realizada em cerca de 50 cidades. Desde então, os jovens pedem todos os domingos por um “um rei que reine e não que governe”.

Com a revisão da Constituição, as autoridades buscam retomar as rédeas frente ao emergente movimento popular inspirado nas revoltas na Tunísia e Egito. Caso os marroquinos aprovem o referendo, Mohammed VI deixará de ser considerado “sagrado”. Ele continuará, porém, a ser Comandante dos Crentes, ou seja, a máxima autoridade religiosa do país.     Continue reading “Marrocos: a nova Constituição e seus limites” »

“A mudança árabe chegará ao Irã”

 

Cineasta e jornalista Maziar Bahari diz que, embora não corrupta, cúpula teocrática do país é arrogante e tende a se isolar. E comenta “Odisseia Iraniana”, documentário em que denuncia derrubada de governo nacionalista por norte-americanos

Por João Novaes, no Opera Mundi

Os ventos da mudança também chegarão ao Irã. Essa convicção pode ser vista nos olhos do ativista, dramaturgo, cineasta e jornalista iraniano Maziar Bahari. Nascido em Teerã, em 1967, é um dos muitos iranianos que têm um histórico familiar marcado pelo longo período de repressão que perdura há décadas no país, tanto na monarquia ditatorial dos xás quanto pelo período dos aiatolás, pós-Revolução Islâmica.

Sua formação em Comunicação ocorreu no Canadá e, em pouco tempo, especializou-se em documentários. Já abordou temas como refugiados judeus, arquitetura africana e futebol. Mas os conflitos de sua terra natal sempre foram o foco de sua obra.

Em 2009, chegou a ser preso pelo regime entre junho e outubro,  acusado de espionagem. Encarcerado na célebre prisão de Evin, repetiu o destino de seu pai, na década de 50, e de sua irmã, na década de 80. Sua experiência o inspirou a escrever “Then They Came For Me” (Então Ele Vieram Para Mim, em tradução livre), no qual conta a história de sua família através das turbulências no cotidiano de de seu país.
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A ONU avalia a liberdade na internet

13 Governos e poderosos temem a Internet

Relatório à Assembleia Geral aponta diversas formas de censura — do bloqueio de palavras-chaves a leis penais ultra-restritivas –, mas sustenta: sociedades estão driblando as restrições

Por Gustavo Capdevilla na Envolverde/IPS

O alcance mundial da internet e sua capacidade de informar em tempo real e de mobilizar as populações gera medo entre governos e poderosos, afirmou Frank La Rue, relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e de Expressão. Esse medo levou ao aumento de restrições no uso da rede mundial, mediante a introdução de complexas tecnologias para bloquear os conteúdos, controlar e identificar ativistas e críticos, além da penalização de formas legítimas de expressão, afirmou o jurista guatemalteco.

La Rue, que, no dia 3, apresentou seu informe ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, mencionou as técnicas de filtragem de informação empregadas na China, mediante tecnologias que bloqueiam conteúdos com a menção de um só conceito, por exemplo, “direitos humanos”. O acesso aos conteúdos significa pluralidade e diversidade na recepção de informação pela internet e também em sua difusão pela rede mundial de computadores. Esse procedimento implica total ausência de censura, disse o especialista. Continue reading “A ONU avalia a liberdade na internet” »