crise do capitalismo Archive

Terceira Carta às Esquerdas

O cenário atual guarda certas semelhanças com o que deflagrou as revoluções de 1848. Porém, só o enfrentaremos com muito mais reflexão estratégica e abertura democrática  

Por Boaventura de Sousa Santos, em Carta Maior

Quando estão no poder, as esquerdas não têm tempo para refletir sobre as transformações que ocorrem nas sociedades e quando o fazem é sempre por reação a qualquer acontecimento que perturbe o exercício do poder. A resposta é sempre defensiva. Quando não estão no poder, dividem-se internamente para definir quem vai ser o líder nas próximas eleições, e as reflexões e análises ficam vinculadas a esse objetivo.

Esta indisponibilidade para reflexão, se foi sempre perniciosa, é agora suicida. Por duas razões. A direita tem à sua disposição todos os intelectuais orgânicos do capital financeiro, das associações empresariais, das instituições multilaterais, dos think-tanks, dos lobbistas, os quais lhe fornecem diariamente dados e interpretações que não são sempre faltos de rigor e sempre interpretam a realidade de modo a levar a água ao seu moinho. Pelo contrário, as esquerdas estão desprovidas de instrumentos de reflexão abertos aos não-militantes e, internamente, a reflexão segue a linha estéril das facções.

Circula hoje no mundo uma imensidão de informações e análises que poderiam ter uma importância decisiva para repensar e refundar as esquerdas depois do duplo colapso da social-democracia e do socialismo real. O desequilíbrio entre as esquerdas e a direita no que respeita ao conhecimento estratégico do mundo é hoje maior que nunca.

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A reveladora visita do FMI

Num movimento que expressa as grandes mudanças no cenário internacional, diretora-gerente do Fundo veio ao país, pediu recursos e fez declarações contrárias às políticas de “austeridade” da Europa

Por Delfim Netto, em Carta Capital

Quando o assunto é Fundo Monetário Internacional, as manchetes são sempre escandalosas. Isso acontece na mídia impressa em qualquer parte do mundo e hoje principalmente no universo virtual. Em geral não estimulam reações muito civilizadas, degenerando em protestos e pancadarias nas ruas. No Brasil não era muito diferente, até o início da “era Lula”.

A visita de Christine Lagarde, atual diretora-gerente do Fundo, obedeceu a um roteiro desprovido da carga emocional de antanho, mas nem por isso a imprensa economizou tinta: “FMI pede dinheiro ao Brasil”. Alguns títulos ainda acrescentaram: “…mas não leva”. Detalhes importantes foram deixados de lado pela maioria e só foram resgatados num relato do jornal Valor (4/12/11, C9), pelos competentes jornalistas Claudia Safatle, João Villaverde e Luciana Otoni.
A senhora Lagarde foi a Brasília pedir a cooperação do Estado brasileiro para a solução de um grave problema internacional, aumentando a sua participação no capital do FMI. Isso tem caráter simbólico importante, pois é a demonstração que mudou a posição do Brasil no mundo, tanto sob a ótica da economia quanto no nível político. A questão do aporte de recursos já estava definida e também a sua contrapartida. O governo concorda em participar com 15 bilhões de dólares de sua reserva para aumentar o capital do FMI tão logo a direção do organismo defina como usará a sua própria reserva, de 390 bilhões de dólares, na ajuda às nações da Zona do Euro.

Como o Brasil poderá se beneficiar da crise (II)

Luís Nassif destaca programas de colaboração com a África e mostra que o provável agravamento dos terremotos financeiros exigirá virar de vez a página do neoliberalismo

Por Luís Nassif, em seu blog

(leia a primeira parte aqui)

Na coluna de ontem, mencionei a importância de um órgão que coordenasse uma ofensiva diplomático-comercial brasileira, envolvendo agronegócio, grupos industriais, mercado de capitais e bancos financiadores, para uma ofensiva nas novas fronteiras agrícolas mundiais.

Um projeto piloto já foi iniciado, entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) – órgão do Itamarati incumbido de ações de cooperação com países pobres – e o Ministério da Agricultura de Moçambique. Trata-se do ProSavana (Programa de Desenvolvimento Agrícola das Savanas Tropicais de Moçambique) – Brasil, Japão e Moçambique. Continue reading “Como o Brasil poderá se beneficiar da crise (II)” »

José Graziano propõe igualdade como antídoto anticrise

Brasileiro que presidirá FAO-ONU sugere que experiência brasileira de distribuição de renda poderia inspirar outros países e ajudar na transição para novo ciclo de desenvolvimento

Por José Graziano da Silva*, Agência IPS

Coordenar a transição de um ciclo de desenvolvimento para outro é uma das equações políticas mais difíceis da vida de uma sociedade. Lançada em janeiro de 2003 com o programa Fome Zero, a política de segurança alimentar do Brasil cumpriu esse papel ao unir sob um amplo guarda-chuva de ações (com ênfase na atenção urgente à fome) a recuperação do poder de compra do salário mínimo e a criação de empregos.

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EUA: Sindicatos e Occupy começam a unir forças

Impressionadas pelo sucesso dos jovens ao debater questões como a desigualdade, organizações trabalhistas adotam táticas ousadas e mobilização por meio das redes sociais

Por Steven Greenhouse, New York Times | Tradução: Dilair Aguiar, em seu blog

Após uma atitude inicial de cautela em relação ao movimento Occupy Wall Street (OWS), os sindicatos estadunidenses passaram nas últimas semanas a irrigar os manifestantes com ajuda – barracas, colchões de ar, aquecedores a gás e toneladas de alimentos. Os manifestantes, por sua vez, participam de passeatas e piquetes sindicais em todo o país.

No dia 9 de novembro, por exemplo, militantes do Occupy foram detidos durante um ato em conjunto com o Sindicato Internacional dos Transportadores (ITU) diante da Sotheby’s, em Manhattan, protestando contra uma medida antissindical adotada pela casa de leilões.

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Como o Brasil poderá se beneficiar da crise

Uma janela de oportunidades vai se abrir. Para aproveitá-las, é preciso planejamento público, aposta na integração com América Latina e África, valorização dos produtos culturais

Por Luis Nassif, em seu blog

Primeira Parte

É inútil a discussão sobre quanto a economia crescerá este ano ou nos próximos. É evidente que o país será afetado pela crise internacional, que sofrerá menos do que em 2008 e que há uma tática de curto prazo para amenizar os efeitos da crise.

A questão é outra.

Nas grandes crises do século 20, o Brasil foi beneficiário, permitiu-se grandes saltos de desenvolvimento.

A crise de 1929, ao estancar o financiamento externo, obrigou Vargas a impor limites ao livre fluxo de capitais. A consequência foi os grandes capitais nacionais caírem na economia real, através dos bancos comerciais ou na implantação de fábricas, acelerando substancialmente o processo de substituição de importações. Continue reading “Como o Brasil poderá se beneficiar da crise” »

Um plano para a Grécia

De pois de decretar a moratória da dívida e abandonar o euro, adotar moeda pouco valorizada, racionar produtos importados e criar condições para novo desenvolvimento

Por Costas Lapavitsas, The Guardian | Tradução Viomundo

A Grécia está diante de um desastre econômico e social, como resultado do assim chamado resgate pela troica da União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu. A Grécia deve mudar de curso para evitar um futuro sombrio para seu povo: deve declarar moratória de sua dívida e sair da zona do euro.

Considerem primeiro a escala da crise. Depois das contrações de 2009 e 2010, o PIB caiu mais 7,3% no segundo semestre de 2011. O desemprego se aproxima de 900 mil pessoas e há projeção de que deve exceder 1,2 milhão de pessoas, numa população de 11 milhões. Estes dados nos fazem lembrar da Grande Depressão dos anos 30.

As causas claramente se encontram no programa econômico da União Europeia, FMI e Banco Central Europeu — a “troika”. No início de 2010 a Grécia estava de fato falida. Com sua sabedoria, a troika impôs políticas de austeridade severa e desregulamentação consistente com a ideologia neoliberal da União Europeia. Previsivelmente, a demanda desabou e o crédito bancário se tornou escasso, resultando no esmagamento do coração da economia grega. Continue reading “Um plano para a Grécia” »

Greve pode revelar um Portugal menos europeu

No Velho Continente, ataque aos direitos continua: agora a vítima é a Irlanda

Pode ser a maior “greve geral de sempre”, segundo os próprios jornais conservadores. Nesta quarta-feira, 24/11, milhões de trabalhadores portugueses deverão cruzar os braços, atendendo a convocação da Central Geral de Trabalhadores do país, a CGTP. Eles protestam contra um “plano de austeridade” — a resposta do governo (dirigido pelo primeiro-ministro José Socrates, do Partido Socialista) à segunda onda da crise financeira mundial aberta em 2008.

O peso econômico de Portugal é reduzido, mas a importância política da greve, não. Da União Europeia (UE) têm surgido as piores reações contra a crise. Liderados pela primeira-ministra alemã, Angela Merkel, todos os governos do bloco que enfrentam dificuldades financeiras têm procurado reduzir despesas atacando direitos sociais (veja nossa reportagem a respeito). A atitude destoa tanto das políticas adotadas nos países do Sul (China, Índia e Brasil principalmente) quanto da postura híbrida pela qual optaram os Estados Unidos.

Na UE, eleva-se a idade mínima para aposentadorias, congela-se — ou mesmo rebaixa-se salários, elimina-se benefícios sociais. Exceto no caso da própria Alemanha, que se beneficia de uma poderosa máquina exportadora, as medidas não têm produzido resultados sequer em termos macroeconômicos. Mas estão em sintonia com uma regressão social e política mais profunda e preocupante, que inclui o crescimento dos partidos de extrema-direita e a desorientação generalizada da esquerda.

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Os estertores da GM e a inércia social

Acima do esplendor, a tempestade

Acima do esplendor, a tempestade

Injeção de 60 bilhões de dólares em empresa sem futuro, atuando num setor que produz devastação, ajuda a enxergar um dos grandes obstáculos à existência de sociedades não-alienadas

Num artigo melancólico, publicado ontem no Financial Times e reproduzido hoje na Folha (leia no clip de hoje), Robert Reich, ex-secrerário do Trabalho dos EUA, analisa a estatização da General Motors (GM) pelos governos dos EUA e Canadá, revelando que ela era ao mesmo tempo desastrosa e inevitável.

Em sua tentativa desesperada de salvar a empresa, conta Reich, Washington injetará nela US$ 50 bi; Toronto, mais US$ 9,5 bi. Juntos, os dois Estados passarão a deter 72,5% do capital da GM, tendo como sócio o sindicato UAW (17,5% das ações). Mas o que à primeira vista seria o controle de uma mega-empresa pela sociedade e seus assalariados tem sentido fúnebre. Os governos dos EUA e Canadá declaram que querem revender a empresa assim que possível. A reestruturação, que começará imediatamente, vai convertê-la, na melhor das hipóteses, numa pálida sombra do que foi. A GM fechará doze fábricas, em seu país de origem. Abrirá mão de sua unidade européia (a Opel, na Alemanha). Não se sabe se manterá as posições na América Latina (inclusive Brasil) e Ásia. Venderá ou abandonará quatro de suas marcas. Demitirá ao menos 21 mil empregados, e reduzirá direitos trabalhistas dos que permanecerem. Espera-se que, após este radical enxugamento, passe a responder por não mais de 20% das vendas de automóveis nos EUA — contra mais de 50%, há cerca de três décadas.

A presença estatal em sua direção, explica Reich, infelizmente não levará a GM a produzir uma nova geração carros verdes –  já viáveis, do ponto de vista tecnológico. Persiste, no Congresso e no governo, a opinião de que não cabe à sociedade “dizer à indústria que automóveis produzir”. E, ainda que o enxugamento seja bem-sucedido, (muitos analistas avaliam que a GM sucumbirá antes disso), ninguém aposta que os Tesouros dos EUA e do Canadá ficarão próximos de recuperar o que estão investindo agora, ao revender a empresa.

Haveria, prossegue o ex-secretário, diversas maneiras de empregar melhor os US$ 60 bilhões. Eles poderiam estimular, por exemplo, a ativação de setores mais limpos e promissores na região do meio-oeste norte-americano, onde se concentra a indústria automobilística em crise. Ou ser investidos em pesquisa e geração de energias renováveis ou transporte público — igualmente capazes de gerar ocupações e atividade econômica. Parte dos recursos financiaria medidas paliativas e provisórias, como treinamento dos demitidos e seguro-desemprego. Se há alternativas tão mais atraentes a longo prazo, de quem é, então, a culpa por não serem adotadas? Do presidente Obama?

CONSERVADORISMO E ALTERNATIVAS: O artigo de Reich tem o mérito de buscar uma explicação mais profunda. “Os políticos não ousam falar em reestruturação industrial porque o público não quer ouvir esta conversa”, diz o ex-secretário. Há um sentimento geral de que a injeção de dinheiro na empresa moribunda é desperdício. Mas prevalece, acima dele, a inércia social: a dor da mudança e o medo das incertezas e desconhecidos necessariamente associados a ela.

As centenas de milhares de trabalhadores da GM que acreditam conservar seus empregos (ao menos por enquanto) preferem não olhar para o futuro sombrio da empresa, nem para os resultados ambientais de sua atividade. As cidades onde há fábricas da companhia também não querem perdê-las, se isso significar desemprego, marginalização, queda do dinamismo econômico. Embora tenha surgido uma consciência ambiental e social planetária, um enorme obstáculo permanece no caminho. Como transformar este sentimento em ação, se a grande maioria dos seres humanos precisa comprar sua vida todos os dias — e é obrigada, para tanto, a vender seu trabalho, nas condições que for possível? Como pedir a alguém que deixe o emprego numa fábrica de armas, ou numa montadora de automóveis, sem oferecer uma forma alternativa de participação no conjunto das riquezas produzidas pela sociedade?

O desperdício de 60 bilhões de dólares na GM pode ser, nesse sentido, um alerta necessário. Ele ressalta a importância de construir, além da crítica às sociedades governadas pelos mercados, respostas positivas e anti-sistêmicas. No caso da crise, a denúncia das montanhas de dinheiro despejadas pelos Estados em favor do sistema financeiro, ou de empresas como a GM, é sempre bem-vinda — mas muito insuficiente.

O passo novo estaria em ressaltar, por exemplo, que em um ano de crise os Estados dispenderam cerca de 3 trilhões de dólares para socorrer bancos quebrados. E em propor que ao menos a mesma soma seja empregada para assegurar, a todos os habitantes do planeta, uma renda básica universal.Significaria, na ponta do lápis, assegurar 1,17 dólares a cada um dos quase 7 bilhões de seres humanos. Permitiria dobrar os rendimentos de 1 bilhão de pessoas  (que sobrevivem com menos de 1 dólar por dia) e elevar em 50% o poder aquisitivo de 2,7 bilhões (que ganham menos de 2 dólares diários).

Crise: a delicada recuperação dos "emergentes"

Entre o alívio e a apreensão (Foto: Kasher)

Entre o alívio e a apreensão (Foto: Kasher)

China, Brasil e Índia estão menos sujeitos à tempestade global. Ação ousada dos Estados contrariou dogmas neoliberais e protegeu os países, admite “The Economist”. Mas nem todos os riscos foram afastados

A edição desta semana da revista britânica The Economist traz uma interessante análise sobre a nova reviravolta na situação das principais “economias emergentes” — China, Índia e Brasil, em primeiro lugar. Há um ano e meio, quando ficou claro que os Estados Unidos mergulhariam numa recessão grave e duradoura, falou-se no “desacoplamento”. Considerava-se que certos países do Sul do planeta haviam reunido condições para evitar o contágio. No final do ano passado, acreditou-se no contrário. Súbitas ondas de demissão, e o recuo abrupto do PIB, pareciam revelar que o redemoinho da crise era forte demais para poupar qualquer nação. Agora, retorna a impressão de uma tranquilidade relativa. Na China, a economia deverá crescer 8%. No Brasil, embora em termos mais modestos, a produção dá sinais de vida e as contratações voltaram.

Por que? Segundo a revista, a onda forte de pessimismo, entre novembro e março, tinha mais a ver com um problema financeiro (o pânico nos mercados de crédito) que com uma dependência estrutural do Sul em relação ao Norte. A China, nota The Economist, já exporta mais para os países “em desenvolvimento” que para os ricos. E seu crescimento acaba de fazer dela o maior importador de produtos brasileiros, à frente dos Estados Unidos.

Há dois fenômenos importantes, por trás destes movimentos. O primeiro, a própria matéria destaca — apesar de seu passado notoriamente neoliberal. Estão se safando os “emergentes” que adotaram políticas opostas a tudo o que  as receitas ortodoxas recomendam. Ao invés de corte drástico de investimentos (aqui, os célebres “ajustes fiscais” de 1998 e 2002), os Estados do Brasil, ìndia e China partiram para medidas corajosas de reativação das respectivas economias. Foi isso que evitou o pior. A segunda hipótese (não formulada pela revista) precisa ser examinada em mais profundidade. Terá o antes chamado “terceiro mundo” reunido densidade econômica e laços entre si mesmo para deixar a condição de uma área econômica de comportamento “reflexo” — isto é, subordinado e dependente?

Falta muito para saber. Primeiro, porque entre os próporios países “em desenvolvimento” a situação é muito desigual. No Leste Europeu, a região que se manteve mais fielmente aferrada aos dogmas neoliberais, a situação é dramática (naturalmente, a mídia brasileira faz silêncio). Estima-se que a produção recue, este ano, 3,5% na Croácia, 4,1% na Romênia, 8% na Ucrânia, 10% na Estônia e Lituânia, 12% na Letônia. Mas haverá dramas também em países que atrelaram muito seu comércio aos EUA (como o México), ou cujas exportações dependem quase apenas de produtos primários (como a Venezuela e a Argentina).

Além disso, uma variável essencial da equação permanece incógnita. Até mesmo China, Índia e Brasil dependeram, para respirar, do alívio nos mercados internacionais de crédito. É algo que começou a se manifestar no segundo trimestre deste ano, depois de os Bancos Centrais dos países ricos despejarem um dilúvio de dinheiro no sistema. Ninguém sabe ainda nem se os efeitos serão duradouros, nem até quando as comportas poderão permancer abertas. Se as respostas a estas dúvidas forem negativas, também os “emergentes” bem-sucedidos terão de encontrar outras fórmulas, para manter o pescoço sobre a água.