China Archive

A China e sua guerra cultural

Governo lança ofensiva contra presença cultural norte-americana, reforça censura na internet e toma medidas para difundir língua e valores chineses pelo mundo 

Em Opinião e Notícia

O presidente chinês Hu Jintao afirmou que o Ocidente está tentando dominar a China espalhando sua cultura e ideologia, e que os chineses devem reforçar sua produção cultural para se defender deste ataque, segundo um ensaio publicado recentemente na revista do Partido Comunista. As palavras de Hu são o sinal de que uma grande política nacional, anunciada em outubro do ano passado, será mantida em 2012.

O ensaio, assinado por Hu e baseado em um discurso de outubro, traçou uma diferença clara entre as culturas do Ocidente e da China, e afirmou que ambos os lados estão envolvidos numa crescente guerra cultural. Suas palavras foram publicadas na Buscando a Verdade, uma revista fundada por Mao Tsé-Tung como uma plataforma para a criação dos princípios do Partido Comunista.

“Devemos enxergar claramente que forças hostis internacionais estão intensificando o plano estratégico de ocidentalização e divisão da China, e campos ideológicos e culturais são o foco de sua infiltração a longo prazo”, afirmou Hu, de acordo com uma tradução da Reuters. “Devemos compreender profundamente a seriedade e a complexidade da luta ideológica, manter os alarmes soando, permanecer vigilantes e tomar as medidas necessárias para estarmos preparados e responder à altura”, completou o presidente.

Continue reading “A China e sua guerra cultural” »

Misteriosa rede empresarial chinesa avança sobre recursos naturais africanos

Conglomerado chinês na África não cumpre promessas de investimento em infraestrutura e se envolve em negociações obscuras com governos repressivos. Difícil é descobrir onde começa a empresa privada e onde termina o Estado chinês

Por Beth Morrissey, Ojha Himanshu, Rena Laura Murray e Patrick Martin-Menard, para o Center for Public Integrity*, Publica

Durante séculos, investidores estrangeiros devassaram a África à procura dos lucros oferecidos pelas abundantes reservas de petróleo e de minerais preciosos. Muitos deixaram rastros de corrupção e não cumpriram promessas de compartilhar a riqueza com os africanos.

É por causa deste passado que um conglomerado tem chamando a atenção da opinião pública do continente, ocupando as manchetes de jornais em diferentes países da África. Continue reading “Misteriosa rede empresarial chinesa avança sobre recursos naturais africanos” »

Foxconn e iPhones: o que o Ocidente não vê

A empresa emprega 300 mil, quase todas migrantes e produz boa parte dos aparelhos consumidos no mundo. A cidade é a fábrica, nada mais. Os trabalhadores têm entre 20 e 30 anos. As taxas de suicídio são altas

Por Rafael A. F. Zanatta, em seu blog

Onde são produzidos os iPhones do cultuado (e falecido) Steve Jobs? Incrível como essa simples questão é ignorada nas reportagens sobre a Apple, localizada na Califórnia. Se você tem um produto da badalada empresa de Jobs, faça o teste. Olhe para a parte de trás do seu aparelho. Lá está a inscrição assembled in China.

Os celebrados iPhones da Apple são produzidos por trabalhadores chineses, apesar da empresa ser taiwanesa. Essa grande fábrica se chama Foxconn, que inclusive tem planos de instalar uma "cidade inteligente" no interior do Brasil para produzir iPads, iPhones e outros aparelhos.

Ontem mesmo foi publicada uma notícia que dizia o seguinte: "os dirigente da Foxconn, multinacional taiwanesa que planeja investir  US$ 12 bilhões na construção de um fábrica de touch screen para tablets, vem ao Brasil na próxima semana para rodadas de negociação em Brasília. Uma das propostas que será analisada pelos executivos é a do Paraná. O documento paranaense traz a oferta de uma área no eixo Londrina – Maringá como opção para receber o empreendimento e o detalhamento sócio-econômico do estado. O texto foi entregue há cerca de um mês para o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que encabeça as negociações". Continue reading “Foxconn e iPhones: o que o Ocidente não vê” »

O aumento do IPI e a política industrial

Há um longo caminho para a consolidação industrial do país: o tiro de partida será a mudança do câmbio, mas os primeiros movimentos demonstram que a sede das empresas pelo Brasil permitirá avançar mais ainda.

Por Luis Nassif

Quando foi anunciado o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para o setor automobilístico, choveram previsões de que a medida afastaria novas montadoras do mercado brasileiro.

Nos dias seguintes, montadoras chinesas confirmaram sua intenção de se instalar no país. E na quinta-feira passada o presidente da Renault/Nissan, Carlos Ghosn, anunciou a implantação de duas novas fábricas no país.

Ora, o aumento do IPI não foi meramente protecionista.

Nos últimos anos, a terrível política cambial implantada no plano Real, mantida por Lula e, até pouco tempo atrás, por Dilma, provocou um retrocesso na nacionalização do setor, no mesmo momento em que novas políticas de renda e de crédito faziam o mercado interno explodir. Consequência: parcerias cada vez maiores de insumos, autopeças e mesmos automóveis completos ocupando o lugar da produção nacional. Continue reading “O aumento do IPI e a política industrial” »

A China no caminho da economia verde?

1169 291x300 China no caminho da economia verde?

O maior emissor de carbono do planeta começa a mudar, adota metas ambientais obrigatórias para as províncias e considera criar um índice de riqueiza alternativo ao PIB

Por Sérgio Abranches, em Ecopolítica.

A China procura avançar em medidas de sustentabilidade. Entre os países do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) é o que está levando mais a sério a busca de um caminho para a economia verde. Isto não a torna nenhum paraíso de sustentabilidade. Continua sendo uma economia dominada pelos fósseis. Mas esse lado verde é o que mais cresce no mundo e já se discute uma nova medida para o “PIB verde”.

Recentemente o todo poderoso Conselho do Estado anunciou plano de trabalho para economia de energia e redução de emissões dos principais poluentes e gases de efeito estufa nas províncias.

Ele estabelece metas compulsórias de intensidade de energia para as províncias e destaca várias políticas para que sejam alcançadas. As metas divulgadas têm como horizonte 2015 e são compatíveis com a meta nacional de queda de 16% na intensidade de energia e 17% na intensidade de carbono do PIB. Metas com as quais a China, inclusive, se comprometeu em Copenhague, na COP15.

As metas provinciais de redução de intensidade de energia variam de 10% a 18%, de acordo com o tipo de economia de cada província. É como se houvesse metas compulsórias de redução para os Estados brasileiros, baseados nas emissões de carbono e intensidade no uso de energia em cada um deles. Faltam, ainda, as metas de intensidade de carbono, que devem ser objeto de outro plano de trabalho.

Está em discussão na Academia de Ciências da China um novo índice para medir não apenas o crescimento quantitativo da economia, mas também sua qualidade. É o Índice de qualidade do PIB, desenvolvido pelo economista Niu Wenyuan, que já havia criado o índice para o PIB Verde. O governo chinês quase adotou o PIB Verde. Chegou até a publicar uma primeira versão. Mas as principais lideranças provinciais se opuseram, porque são avaliadas com base nos índices de desenvolvimento de suas províncias. Como as que crescem mais poluem mais, temem que índices verdes reduzam a exuberância do crescimento que obtêm. Continue reading “A China no caminho da economia verde?” »

Um roteiro para tratar com a China

Relações do Brasil com Beijing podem representar uma grande oportunidade. Mas, por enquanto, parecem mais a reedição do infausto acordo Inglaterra-Portugal

Por Luis Nassif, em seu blog

Já é um clássico da história econômica mundial o acordo entre Inglaterra e Portugal que permitiu aos ingleses abrir espaço para os vinhos portugueses e, em contrapartida, inundar Portugal com produtos importados, arrebentando com sua manufatura e levando todo o ouro da Coroa.

As relações do Brasil com a China podem representar uma grande oportunidade. Mas, por enquanto, parece mais a reedição do infausto acordo Inglaterra-Portugal.

***

É o que se conclui do trabalho “O canto da sereia”, de Jorge Arbache – professor da Universidade de Brasília . Continue reading “Um roteiro para tratar com a China” »

Rússia e China blindam a Síria

1166 300x225 Rússia e China blindam a Síria contra possíveis sanções

Por Thalif Deen, na Envolverde/IPS

Uma resolução da ONU baseada nDuas potências, que compõem Conselho de Segurança, protegem na ONU seu aliado árabe — em postura semelhante à dos Estados Unidos em relação a Israel

Pora crítica ocidental às matanças de civis na Síria pode se deparar com a negativa de Rússia e China, dois dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. Eles ameaçam exercer seu poder de veto. Se o Conselho, de 15 membros, adotar, nos próximos dias, esta resolução, ela será diluída para evitar o tradicional pedido de sanções econômicas ou militares contra um país acusado de “sufocar sem dó” os protestos civis.

“É muito óbvio que os russos e os chineses estão protegendo seus próprios interesses econômicos e militares na Síria”, disse à IPS um diplomata asiático, “do mesmo modo que as nações ocidentais tradicionalmente continuam protegendo Israel de todo tipo de sanção”. A Síria, que possui fortes laços políticos, econômicos e militares tanto com Rússia quanto com China, depende muito desses dois países para obter as armas que atualmente usa contra os manifestantes da revolta, que já dura três meses, contra o governo do presidente Bashar al-Assad. Continue reading “Rússia e China blindam a Síria” »

China e Índia, dois modelos

Um artigo do Nobel Amartya Sen tenta estabelecer comparações políticas e sociais entre os dois páises emergentes que estão mudando a economia do planeta

Por Mauricio Santoro, editor do blog Todos os Fogos o Fogo

China e Índia são potências ascendentes e duas das mais impressionantes histórias de sucesso do mundo pós-Guerra Fria. Ambas têm culturas milenares, mas sistemas políticos muito diferentes, com o contraste entre a ditadura chinesa e a democracia indiana quase sem interrupções desde a indpendência em 1947. Por isso é um deleite ler o artigo do economista Amartya Sen, na New York Review of Books, comparando a qualidade de vida nas duas nações. As estatísticas favorecem a China, mas ele afirma que elas não contam tudo e que é preciso olharmos para as questões políticas. Sen é indiano e recebeu o Nobel por seus estudos que destacam exatamente a importância dos fatores não-econômicos para o desenvolvimento.

 

Comecemos pelos dados básicos. A China tem um PIB maior e cresce mais rápido e seus indicadores para expectativa de vida, alfabetização, anos de educação, mortalidade infantil são bem melhores do que os da Índia. Na realidade, em alguns quesitos os indianos ficam atrás do vizinho Bangladesh, que é mais pobre, mas tem melhores políticas sociais e discrimina menos as mulheres. Continue reading “China e Índia, dois modelos” »

Celso Amorim vê ocaso da velha ordem mundial

A Velha Ordem está morrendo. Viva a Nova! Já não será possível que um grupo de potências ocidentais dite a vontade do mundo. Por Celso Amorim. Foto: Ed Jones/AFP 

Ex-ministro analisa mais recente reunião do Brics e ironiza setores da mídia que buscam dividir o grupo – porque preferiam mundo imperial… Por Celso Amorim, Carta Capital. Foto: Ed Jones/AFP

Os líderes (no caso do Brasil, a líder) dos cinco países emergentes que, com a adesão da África do Sul, hoje compõem os BRICS reuniram-se em Sanya, na China, em 14 de abril último. A entrada da África do Sul é bem-vinda por trazer a África para esse grupo, cuja crescente importância no cenário internacional já não é mais contestada. Evidentemente, os pessimistas profissionais continuam a apontar diferenças de interesses entre os membros dos BRICS, traduzindo, em verdade, seu desconforto com a criação desse grande espaço de cooperação entre países até há pouco considerados subdesenvolvidos. Continue reading “Celso Amorim vê ocaso da velha ordem mundial” »

A pegada verde da China

1204 A pegada verde do gigante asiático

Surpresa nas negociações climáticas da ONU: Beijing apresenta planos e ações concretas para limpar a imagem de país mega-poluidor. Já é líder em tecnologias verdes e desenvolvimento de energia eólica e solar. Por Marwaan Macam-Makar, na Envolverde-IPS

Converter-se em líder das economias baixas em carbono dá à China nova força diplomática para as negociações que antecedem a 17ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 17), que acontecerá a partir de 28 de novembro, em Durban. A primeira rodada de conversações climáticas prévias, realizada entre 3 e 8 deste mês em Bangcoc, destacou a atenção que recebe a expansão da economia verde da China, com os negociadores desta potência emergente enfrentando seus pares dos Estados Unidos e da União Europeia (UE), dois de seus tradicionais adversários nas negociações da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudança climática.

Os governos de nações mais ricas, que desde a revolução industrial são as principais emissoras de gases-estufa, tiveram que aceitar o 12º plano quinquenal da China, divulgado às vésperas da reunião de Bangcoc. Este pilar fundamental das políticas neste país detalha uma série sem precedentes de iniciativas para criar uma economia amigável com o meio ambiente. “O plano quinquenal da China acaba de ser divulgado. Precisamos felicitar Pequim por fazê-lo”, disse Artur Runge-Metzger, principal negociador da UE sobre mudança climática, aos jornalistas reunidos em Bangcoc. Entretanto, “precisamos ver como serão executadas essas medidas”, acrescentou. Continue reading “A pegada verde da China” »