América Latina Archive

“Os índios nunca foram atrasados”

Carlos Walter Porto Gonçalves critica visão eurocêntrica de “modernidade” e “atraso” e indica a importância da resistência indígena e camponesa

Por Joana Tavares, Brasil de Fato

O professor Carlos Walter Porto Gonçalves vem dedicando suas análises sobre a Pátria Grande, a América Latina. Um antigo defensor das lutas indígenas e camponesas e ex-assessor de Chico Mendes, ele diz que não faz sentido querer um ambiente sem gente nem um desenvolvimento para as pessoas sem cuidar necessariamente do ambiente. Corrobora com a filosofia do ex-líder sindical e ambientalista, assassinado em 1988: “Não há defesa da floresta sem os povos da floresta”. E também se inclui na filosofia do ecossocialismo, como a união das lutas contra a devastação e o capitalismo. Nesta entrevista, ele fala sobre a América Latina e a posição arrogante do Brasil, critica o projeto e a visão da modernidade e defende a força da luta e das ideias indígenas.

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Venezuela: surge um adversário para Chávez

Henrique Capriles Radonski (Reuters)

Embora rico e conservador, Radonsky diz que vai manter programas sociais do atual presidente, e faz menções a um “modelo Lula”

Por Claudia Jardim, BBC Brasil

Um dos principais candidatos a enfrentar o presidente venezuelano Hugo Chávez nas urnas em 2012 promete um ”modelo Lula” de governar, em menção ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Henrique Capriles Radonski, pré-candidato presidencial na Venezuela, lança sua candidatura nesta quarta-feira tentando desvincular-se do rótulo de conservador.

”Não é a hora da esquerda, nem da direita, é a hora da Venezuela”, afirmou Capriles Radonski, durante um ato de campanha eleitoral.

Com 39 anos, o atual governador do Estado de Miranda, o segundo mais populoso do país, aparece como favorito nas pesquisas às eleições primárias de fevereiro, quando a coalizão opositora definirá quem será o candidato que enfrentará Chávez nas eleições presidenciais. Continue reading “Venezuela: surge um adversário para Chávez” »

Por que lutam os estudantes chilenos

Nova manifestação maciça marcada para hoje, em Santiago. Em pauta, reverter a privatização e mercantilização do ensino, adotadas por Pinochet e mantidas nos governos civis

Por João Peres, na Rede Brasil Atual

São dias pouco agradáveis para o presidente do Chile, Sebastián Piñera. Além de ter sido obrigado a anunciar medidas para tentar frear os movimentos, ele enfrenta, nesta segunda-feira (11), protestos dos trabalhadores do setor mineral, principal atividade econômica nacional. Os operários querem garantias de que não haverá privatização da Codelco, a estatal do cobre.

O momento coloca em xeque a visão de um “Chile-maravilha”, comprada por parte da sociedade brasileira e dos países ricos. Os estudantes querem colocar a nu um sistema educacional que consideram desigual e excludente.

“O crescimento do mercado de educação superior fez com que aparecessem muitas diferenças entre os estudantes e entre as instituições”, afirma Germain Dantas, presidente da Federação de Estudantes da Universidade Federico Santa Maria, uma instituição privada de Valparaíso, e integrante da Confederação de Estudantes do Chile. “Há um uso maciço de recursos que não assegura a qualidade.”

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Movimento LGBT pede mudanças em Cuba

Mariela Castro, filha do presidente, é uma das referências quando se trata de direitos LGBT em Cuba

Num país que se rediscute, ativistas reivindicam reforma no Código de Família, para abrir espaço às uniões civis e adoção de crianças

Por Maíra Kubík Mano, no Opera Mundi

O cinema Fresa y Chocolate, em Havana, está lotado. Na entrada, fotos lembram o filme de mesmo nome que ganhou notoriedade mundial há mais de 15 anos. Os casais se acomodam entre fileiras de cadeiras e se sentam lado a lado. Burburinhos antes do início tomam conta da sala. Mas não se trata de uma sessão qualquer. A bandeira com um arco-íris decora o espaço e no lugar da tela, há uma mesa de debates. O tema da palestra: o amor gay.

Um jovem de 30 e poucos anos toma a palavra: “Sou muito feliz com meu companheiro. Estamos juntos há quase uma década”, diz, orgulhoso, fitando o amado na plateia. “Mas, mesmo que a situação tenha melhorado, devemos avançar em muitos aspectos. Há mitos que precisamos desconstruir, como o de que os gays são promíscuos. O modelo que impera aqui em Cuba é o heterossexual e nós — homossexuais masculinos — somos os mais discriminados. Eu quero ter o direito de construir uma família e de lidar com meu corpo como bem entender”. A declaração é seguida de efusivos aplausos. Continue reading “Movimento LGBT pede mudanças em Cuba” »

Mapuches chilenos suspendem greve de fome

Adotada em 9/6, decisão visa preservar vida dos manifestantes — que jejuaram por 86 dias. Prossegue luta pela anulação de julgamento baseado em leis da ditadura Pinochet

No Opera Mundi

A greve de fome dos quatro mapuches chegou ao fim na noite desta quinta-feira (09/06), após 86 dias, confirmou a porta-voz dos indígenas, Natividad Llanquileo. A informação foi dada por Llanquileo poucas horas após o arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzati, pedir ao governo que atuasse com prontidão para salvar a vida dos quatro indígenas. “Tivemos uma conversa e eles decidiram terminar a greve de fome, criando-se uma comissão pela defesa dos direitos do povo mapuche”, disse a dirigente à Rádio Cooperativa.

Nesta quarta-feira (08/06), as autoridades penitenciárias da região tinham argumentado “razões médicas” para separar os quatro presos, mas no final da jornada desta quinta-feira foram transferidos novamente ao Hospital de Victoria de onde tinham sido levados contra sua vontade. Continue reading “Mapuches chilenos suspendem greve de fome” »

Galeano: “entre indignados e indignos”

Após visitar acampamento da Puerte del Sol, em Madri, escritor uruguaio vê, nos protestos espalhados pela Espanha, entusiasmo que pode superar a velha política

Entrevista à TV3 espanhola. Transcrição e tradução de Cainã Vidor, na Revista Forum

Confira abaixo a íntegra da entrevista concedida por Eduardo Galeano ao programa Singulars, da TV3, no dia 23 de maio. Ali, ele conta as suas impressões ao se deparar com a Espanha dos “Indignados”, fala sobre a crise do sistema econômico e político institucional e também comenta a respeito de futebol.

 

Eduardo, você chega e encontra as praças cheias de gente gritando “outra democracia é possível!”. Que te parece?

Me parece uma experiência estupenda. A verdade é que foi muito emocionante, para mim, estar entre essas pessoas quando cheguei a Madrid e recuperar esta energia, este entusiasmo. Esta vitamina “E” de entusiasmo, que às vezes parecia perdida neste mundo que nos convida ao desânimo. Então acho que é uma experiência estupenda, e segue sendo, e a palavra entusiasmo é uma palavra linda, de origem grega, que significa “ter os deuses aqui dentro”. E isto foi o que senti quando perambulava entre as pessoas na Puerta del Sol. Continue reading “Galeano: “entre indignados e indignos”” »

O desafio essencial de Humala

Novo presidente peruano precisará adotar políticas de redistribuição de riqueza, em meio a uma sociedade na qual interesses e ideias conservadoras mantêm força — como demonstraram as eleições
Por Maurício Santoro, no Todos os Fogos o Fogo

 

Escrevo ainda sem ter a confirmação dos resultados das eleições presidenciais no Peru, mas as pesquisas de boca de urna indicam vitória de Ollanta Humala sobre Keiko Fujimori, por diferença de até cinco pontos, deste modo revertendo a tendência da última quinzena. Se este for mesmo o desfecho da disputa, Humala terá pela frente dois desafios significativos: o relacionamento com as grandes empresas e a necessidade de provar que sua adesão à democracia e aos direitos humanos é real. Continue reading “O desafio essencial de Humala” »

Chile: greve estudantil pela reforma universitária

Marchas estenderam-se por todo o país, na quarta-feira. Estudantes pedem redução das taxas e fim do modelo privatista.

Por Enrique GutiérrezLa Jornada | Tradução Katarina Peixoto

Cerca de 30 mil estudantes universitários participaram, quarta-feira, de uma paralisação nacional e de marchas de protesto — na capital, Santiago, e em diversas outras cidades chilenas. Os sindicatos dos servidores públicos, dos professores e reitores das universidades somaram-se aos protestos contra o modelo privatizador do governo Piñera. Em Santiago, os carabineros reprimiram manifestação em frente ao palácio presidencial. Segundo a Unesco, o Chile é a única nação do mundo com uma educação superior quase inteiramente privatizada.

Federações universitárias chilenas realizaram quarta-feira (1º/6) uma paralisação nacional. Milhares de estudantes manifestaram-se pelas ruas de Santiago e de outras cidades do país, apoiados por autoridades acadêmicas e professores, contra o modelo privatizador na educação, por uma mudança estrutural no setor e maior acesso ao ensino superior.

Estima-se que ao menos 30 mil universitários participaram das marchas de protesto pelo centro da capital e em cidades como Talca, Valparaíso, Concepción, Temuco, La Serena, Coquimbo, Valdivia e Puerto Montt, em mobilizações onde só se registraram alguns incidentes isolados. As autoridades policiais informaram que algumas pessoas foram detidas, sem precisar o número. Continue reading “Chile: greve estudantil pela reforma universitária” »

Mídia peruana tenta eleger Keiko Fujimori

Apoio em bloco à candidata de direita torna resultado do pleito imprevisível. Mas cresce parcela da opinião pública que já desconfia dos jornais comerciais
Por Cláudio Ribeiro, no Palavras Diversas
 

Acima está a carta em que Mário Vargas Llosa, famoso escritor peruano, ex-candidato a presidência da república, de centro direita, derrotado por Fujimori, renuncia a uma coluna em um grande jornal diário peruano, em uma forma de protestar contra a campanha descarada da grande imprensa peruana em favor de Keiko Fujimori, filha e herdeira política de Alberto Fujimori, que cumpre prisão por crimes por violação de direitos humanos e corrupção. Continue reading “Mídia peruana tenta eleger Keiko Fujimori” »

Honduras: um passo para a democracia

 

Acordo que permitiu volta de Zelaya ao país abre portas para Constituinte e ressalta papel dos países como o Brasil – que denunciaram golpe militar. 

Por Mauricio Santoro, em Todos os fogos o Fogo

Na semana passada, o presidente de Honduras, Porfirio Lobo, assinou o acordo de Cartagena com o ex-mandatário deposto, Manuel Zelaya. Com a mediação de outras nações da América Central e da Colômbia e Venezuela, o pacto estabelece várias garantias que o governo concede ao movimento de oposição liderado em Zelaya e abre caminho para o retorno de Honduras à OEA e para a restauração das relações diplomáticas do país. A Comissão da Verdade hondurenha deve declarar em alguns dias que a deposição de Zelaya foi um golpe de Estado. Como o Wikileaks mostrou, os EUA também reconheceram o fato, desde o início. É um desfecho muito bom para uma crise política de dois anos e cria precedentes que podem em breve ser úteis para o Peru. 

Recapitulando: após o golpe, Zelaya foi para o exílio e retornou logo depois a Honduras, de maneira inesperada, procurando impulsionar uma rebelião popular. O esforço falhou e ele se refugiou na embaixada do Brasil, de onde continuou suas atividades políticas. Os golpistas realizaram eleições em situação irregular, com muitas violações de direitos humanos. Elas continuaram no novo governo, com cerca de 20 assassinatos de opositores, em especial jornalistas. O presidente eleito, Lobo, não foi aceito por muitos de seus pares na América Latina, como Brasil, Venezuela e Nicarágua. Zelaya foi para o exílio e retornou a Honduras somente neste fim de semana, saudado por multidão de seus partidários.