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Petróleo: novo desastre ambiental no Rio de Janeiro?

PF apura responsabilidades por novo derramamento de óleo, desta vez pela japonesa Modec. Incidente é bem menor que o da Chevron, mas afeta paraísos em Angra e Paraty

Por Najla Passos, Carta Maior

BRASÍLIA – O delegado da Polícia Federal no Rio de Janeiro Fábio Scliar, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, ainda nem concluiu inquérito sobre responsabilidades criminais pelo derramamento de óleo causado pela norte-americana Chevron, e já bota na mira outra multinacional petroleira protagonista de novo desastre ambiental no litoral fluminense.

Agora, trata-se de derramamento estimado em mais 10 mil litros de óleo combustível a partir das operações da empresa japonesas Modec, na sexta-feira (16). Segundo o secretário de Meio Ambiente do estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, apesar de o vazamento ser cerca de 50 vezes menor do que o causado pela Chevron, os prejuízos podem ser piores, pois o combustível atingiu áreas mais sensíveis do ponto de vista ecológico e turístico, como Angra dos Reis e Paraty.

Minc sobrevoou a região neste domingo, acompanhado da presidente do Instituto Estadual do Meio Ambiente (INEA), Marilene Ramos. Eles visualizaram duas manchas de óleo, entre Angra e Paraty, e perceberam que o local mais atingido foi a Ilha dos Porcos, paraíso privado do cirurgião plástico Ivo Pitangui. O INEA informou que “instou” a Modec a iniciar a dispersão das manchas. Continue reading “Petróleo: novo desastre ambiental no Rio de Janeiro?” »

Governos admitem tratamento climático universal

O ponto central da cúpula do clima em Durban foi a aceitação por todos os governos de que se deve negociar, com prazo até 2015, um novo tratado mundial para reduzir as emissões que provocam o aquecimento global.

Por Stephen Leahy, Envolverde/IPS

Durban, África do Sul, 12 de dezembro de 2011. O mundo caminha para um perigoso aquecimento global. Contudo, quando a 17ª cúpula do clima terminava na África do Sul, os governos aceitavam discutir um novo tratado global para diminuir as emissões de gases que provocam o efeito estufa. Após duas semanas de intensas e amargas discussões, às quais se somaram outras 29 horas, os 193 países partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre à Mudança Climática (CMNUCC) acordaram um complexo conjunto de documentos intitulado Plataforma de Durban.

Os textos incluem a continuidade do Protocolo de Kyoto, único tratado mundial obrigatório para reduzir os gases-estufa, a estrutura formal do Fundo Verde para o Clima e novos mecanismos de mercado, entre outros assuntos. Porém, o ponto central, obtido ao amanhecer do dia 11, foi a concordância de todos os governos de que se deve negociar um novo tratado mundial para reduzir as emissões até 2015. Embora isto possa parecer a simples decisão de realizar mais reuniões, esta é a primeira vez que todas as nações aceitam ser governadas por um regime específico no contexto da CMNUCC.

No momento, as promessas voluntárias de redução nas emissões feitas em 2009 pelos países industrializados, Brasil, China, África do Sul, Índia e outros no contexto do Acordo de Copenhague, garantem que a temperatura média do planeta aumentará 3,5 graus centígrados em relação à era pré-industrial, indica a ciência climática. Inclusive algumas análises afirmam que a temperatura subiria mais, entre quatro e cinco graus, o que colocaria em risco a sobrevivência da espécie humana.

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Misteriosa rede empresarial chinesa avança sobre recursos naturais africanos

Conglomerado chinês na África não cumpre promessas de investimento em infraestrutura e se envolve em negociações obscuras com governos repressivos. Difícil é descobrir onde começa a empresa privada e onde termina o Estado chinês

Por Beth Morrissey, Ojha Himanshu, Rena Laura Murray e Patrick Martin-Menard, para o Center for Public Integrity*, Publica

Durante séculos, investidores estrangeiros devassaram a África à procura dos lucros oferecidos pelas abundantes reservas de petróleo e de minerais preciosos. Muitos deixaram rastros de corrupção e não cumpriram promessas de compartilhar a riqueza com os africanos.

É por causa deste passado que um conglomerado tem chamando a atenção da opinião pública do continente, ocupando as manchetes de jornais em diferentes países da África. Continue reading “Misteriosa rede empresarial chinesa avança sobre recursos naturais africanos” »

Peru: segue em paralisação contra mineração

Moradores da região de Cajamarca, norte do Peru, continuam a paralisação contra o projeto Conga, de extração de ouro e cobre, alegando que causará escassez e contaminação da água

Por Camila Queiroz, Adital

Moradores da região de Cajamarca, norte do Peru, continuam a paralisação iniciada na última quinta-feira (24). Eles se contrapõem ao projeto Conga, de extração de ouro e cobre, alegando que causará escassez e contaminação da água, recurso importante na região, cuja maior parte das atividades se relaciona com a agricultura e a pecuária.

Com a paralisação, o comércio local não está funcionando (voluntariamente ou devido a piquetes que o impedem) e rodovias foram bloqueadas, o que já causa dificuldade de abastecimento de combustível e alimentos. O aeroporto e as escolas estão fechados. A Câmara de Comércio estima prejuízo diário de 10 milhões de dólares. Continue reading “Peru: segue em paralisação contra mineração” »

O vazamento da Chevron ocultado pela mídia

Petróleo vaza no litoral brasileiro, mas os jornais minimizam o fato e reproduzem acriticamente “informações” da empresa. Porém, se fosse a Petrobras…

Por Pedro Migão, em seu blog

Me causou profunda estranheza nesta semana ter passado praticamente despercebida a notícia de um grande vazamento de petróleo ocorrido na Bacia de Campos, em campo operado pela empresa norte americana Chevron.

Tal vazamento vem ocorrendo desde quarta feira passada e, embora não pareça ser de grandes proporções, no momento em que escrevo (noite de terça) estava se começando a controlar. A empresa norte americana alega que dezoito navios foram enviados para conter o vazamento, mas não há registros factuais de tal presença. Continue reading “O vazamento da Chevron ocultado pela mídia” »

Caminhos para deixar a Era do Lixo

Um dos grandes estudiosos sobre resíduos sólidos no país demonstra: mudança geral de hábitos de consumo é a grande alternativa. Situação é mais grave no Brasil, onde reciclagem é mínima e não se reconhece trabalho ambiental dos catadores

Por Patricia Fachin, do IHU

A humanidade está movimentando cerca de 48 bilhões de toneladas de materiais por ano, mas, desse valor, “30 bilhões viram lixo”, informa Maurício Waldman à IHU On-Line. Na era do consumo descartável, as classes “abastadas” geram cerca de 1,5 a 2,0 kg de resíduos por habitante, a cada dia, enquanto entre os mais pobres o grau de resíduos despenca para 0,3 kg/hab/dia. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, o pesquisador esclarece que esses dados demonstram que as “estatísticas mascaram contrastes sociais ao diluírem o volume total de lixo gerado dividindo-o pelo conjunto da população”.

Para reverter a produção excessiva de lixo, Waldman enfatiza a necessidade de “rever os processos produtivos, que se pautam pela descartabilidade premeditada dos produtos, que precocemente se tornam obsoletos”. E compara: “Em 1997, a vida útil de um computador era em média seis anos. Mas, hoje em dia a validade desses equipamentos foi abreviada para apenas dois”. Continue reading “Caminhos para deixar a Era do Lixo” »

A China no caminho da economia verde?

1169 291x300 China no caminho da economia verde?

O maior emissor de carbono do planeta começa a mudar, adota metas ambientais obrigatórias para as províncias e considera criar um índice de riqueiza alternativo ao PIB

Por Sérgio Abranches, em Ecopolítica.

A China procura avançar em medidas de sustentabilidade. Entre os países do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) é o que está levando mais a sério a busca de um caminho para a economia verde. Isto não a torna nenhum paraíso de sustentabilidade. Continua sendo uma economia dominada pelos fósseis. Mas esse lado verde é o que mais cresce no mundo e já se discute uma nova medida para o “PIB verde”.

Recentemente o todo poderoso Conselho do Estado anunciou plano de trabalho para economia de energia e redução de emissões dos principais poluentes e gases de efeito estufa nas províncias.

Ele estabelece metas compulsórias de intensidade de energia para as províncias e destaca várias políticas para que sejam alcançadas. As metas divulgadas têm como horizonte 2015 e são compatíveis com a meta nacional de queda de 16% na intensidade de energia e 17% na intensidade de carbono do PIB. Metas com as quais a China, inclusive, se comprometeu em Copenhague, na COP15.

As metas provinciais de redução de intensidade de energia variam de 10% a 18%, de acordo com o tipo de economia de cada província. É como se houvesse metas compulsórias de redução para os Estados brasileiros, baseados nas emissões de carbono e intensidade no uso de energia em cada um deles. Faltam, ainda, as metas de intensidade de carbono, que devem ser objeto de outro plano de trabalho.

Está em discussão na Academia de Ciências da China um novo índice para medir não apenas o crescimento quantitativo da economia, mas também sua qualidade. É o Índice de qualidade do PIB, desenvolvido pelo economista Niu Wenyuan, que já havia criado o índice para o PIB Verde. O governo chinês quase adotou o PIB Verde. Chegou até a publicar uma primeira versão. Mas as principais lideranças provinciais se opuseram, porque são avaliadas com base nos índices de desenvolvimento de suas províncias. Como as que crescem mais poluem mais, temem que índices verdes reduzam a exuberância do crescimento que obtêm. Continue reading “A China no caminho da economia verde?” »

Entre desenvolvimento local e desastre social

Maquete de uma unidade, da Tecbio, produtora de biodiesel em pequena escala

 

Na Amazônia quebradeiras de babaçu alertam: produção de biocombustível, que alimenta comunidades locais, está ameaçada por indústria do ferro-gusa

Por Mario Osava, em Envolverde/IPS

O biocombustível é a única fonte de energia alternativa que promove o desenvolvimento local, gerando emprego, conhecimento e tecnologia, mas também pode causar danos sociais. Este é o medo diante da exploração em escala industrial do babaçu, uma palmeira abundante no centro e norte do Brasil. Cerca de 400 mil mulheres e suas famílias dependem do babaçu (Orbignya phalerata martins) para sobreviver na faixa oriental da Amazônia e proximidades. Coletam os cocos desta palmeira para extrair amêndoas e produzem óleo, farinha, carvão e material para artesanato em pequenas quantidades, usando apenas as mãos e máquinas simples.

O Movimento Interestadual das Quebradoras de Coco Babaçu (MIQCB), que as reúne, alerta para um ameaça. Trata-se das indústrias de ferro-gusa (primeira fundição do minério) e de cerâmica, que usam o fruto da palmeira como carvão, em uma competição desigual que emprega simples catadores e catadoras mal remunerados, alertou Luciene Figueiredo. O fazem de forma inadequada, queimando o coco inteiro e desperdiçando sua amêndoa e sua polpa, já que contaminam o ar, criticou Luciene, assessora do MIQCB. O governo do Estado do Tocantins proibiu seu uso nas caldeiras, mas não nos outros três distritos onde o MIQCB atua, lamentou. Continue reading “Entre desenvolvimento local e desastre social” »

Polêmica: é possível crescimento sustentável?

Fritjof Capra, Sandro Tubertini e Homero Santos debatem as contradições entre a garantia de bem-estar para todos e os limites do planeta

É possível garantir a prática da sustentabilidade em um mundo em que mercados consumidores acabam de emergir, ansiosos por usufruir do seu poder de compra recém conquistado? Esse é o caso da China pós-socialista e da classe C brasileira, em que bens e serviços como computadores, carros e viagens aéreas, por exemplo, se tornaram acessíveis. O aumento do poder aquisitivo é, sem dúvida, um avanço sob a perspectiva social, e merece ser comemorado. Mas, se não for acompanhado do consumo consciente e orientado, pode representar uma ameaça do ponto de vista ambiental. Uma resposta imediata poderia orientar para a adoção de produtos inteligentes e de tecnologia limpa na produção. Mas o alto custo dessas tecnologias e o nível em que se encontram as pesquisas nesse sentido não permitem, ainda, que os produtos que causam menor impacto sejam consumidos em larga escala.Contamos, então, com as reflexões de três convidados. O primeiro deles, o físico austríaco Fritjof Capra, autor de obras como ‘Tao da Física’ e ‘Ponto de Mutação’. Depois, dá sua visão o arquiteto Sandro Tubertini, um dos responsáveis pelo escritório BDSP, que assina a construção do Velódromo de Londres, considerada a construção mais sustentável do parque olímpico de 2012. No final, a reflexão de Homero Santos, professor, administrador e consultor em sustentabilidade.

Amazônia: como falha o combate ao desmatamento

Desaparelhamento da fiscalização, desarticulação dos órgãos responsáveis e imensidão do território monitorado ajudam a entender novo aumento da devastação

Por Gabriel Bonis, em CartaCapital

“O desmatamento da Amazônia é uma guerra sem fim”. A definição é do diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano de Menezes Evaristo, responsável pelo monitoramento e proteção dos cinco milhões de quilômetros quadrados da região, um território equivalente a quase metade da Europa.

“Toda vez que se fecha uma madeireira, o indivíduo abre uma nova em outro lugar em nome de outra pessoa”, aponta, em conversa com a CartaCapital, por telefone, na terça-feira 7.

A deficiência dos órgãos de controle na Amazõnia ficou escancarada, nas últimas semanas, devido à divulgação de dados indicando o aumento de 26% no desmatamento entre agosto de 2010 e abril deste ano, na Amazônia Legal (composta pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão). As informações saíram poucos dias antes da aprovação do novo Código Florestal, em 24 de maio, pela Câmara dos Deputados, sob críticas de ambientalistas. Mesmo dia em que os extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, que denunciavam a extração irregular de madeira, o desmatamento e as carvoarias ilegais nas redondezas do assentamento Praia Alta Piranheira, foram assassinados em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará. Continue reading “Amazônia: como falha o combate ao desmatamento” »