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Europa: dois banqueiros e um segredo

Mais que a Grécia, quem está à beira do colapso são duas mega-instituições financeiras: o Banco Central Europeu e o Deutsche Bank. Seus poderosos dirigentes querem escapar do desastre impondo cortes de direitos às sociedades

Por Jérôme Roos, no Esquerda.net

Durante um ano, o Deutsche Bank e o Banco Central Europeu (BCE) fizeram-nos acreditar que o que se passa na Grécia seria desastroso para a Europa. Estavam mentindo com todos os dentes da boca.

Em Frankfurt, dois dos homens mais poderosos da Europa sentam-se, virtualmente, um de cada lado da rua, nos edifícios-sede de duas das mais importantes instituições no continente. Ninguém elegeu estes homens para que governem sobre nós. Ninguém votou nas suas instituições para que ditassem a nossa política econômica. No entanto é o que fazem.

Apresentamos Jean-Claude Trichet e Josef Ackermann. O primeiro é o líder do Banco Central Europeu. Está de saída, e foi recentemente considerado pela Newsweek uma das cinco pessoas mais importamtes do mundo. O segundo é o líder do maior banco privado da zona euro, o Deutsche Bank, e foi recentemente considerado pelo The New York Times “o banqueiro mais poderoso da Europa”. Nenhum deles foi eleito para liderar a economia. No entanto, juntos é o que fazem. Continue reading “Europa: dois banqueiros e um segredo” »

As vacas magras dos trabalhadores nos EUA

 

Atiçada pela vitória nas urnas, direita republicana impõe cortes de benefícios e direitos políticos. Obama permanecia passivo, ao menos até lei de imigração proposta em 11/5

Por Eduardo Graça, em Carta Capital

O 1º de maio não é tradicionalmente celebrado por aqui, mas, justamente por ser o Dia do Trabalhador em quase todos os cantos do planeta, foi a data escolhida pelas organizações trabalhistas voltadas para o direito dos imigrantes nos EUA para sua marcha anual. Em 2010, galvanizados pela lei anti-imigração aprovada no Arizona, cerca de 60 mil manifestantes desfilaram pelas ruas do centro da maior cidade da Califórnia, uma demonstração de força ausente na minguada concentração deste ano, incapaz sequer de ocupar a esquina da Broadway com a Rua 1, o marco final do protesto. A cena ilustra com precisão o momento difícil vivido pelos movimentos sociais organizados americanos, aparentemente abandonados por um governo que recebeu decidido apoio tanto das centrais sindicais tradicionais quanto dos grupos interessados em uma ampla reforma na política de imigração de Washington.

Quase três anos depois da histórica eleição de Barack Obama, os trabalhadores americanos vivem, de acordo com o criador e diretor do curso de pós-gradu-ação de História da Universidade de Nova York (NYU), Daniel Walkowitz, o maior ataque a seus direitos desde o macarthismo. Walkowitz lançou em outubro de 2010, o extenso estudo Repensando a História dos Trabalhadores nos EUA – Ensaios sobre a experiência da classe trabalhadora, 1756-2009. O assalto se dá tanto pela inanição de Washington quanto pela vitória de candidatos republicanos nas eleições de 2010 na maioria dos estados da federação, ideólogos interessados em apresentar os trabalhadores sindicalizados, especialmente os do setor público, como responsáveis diretos pelo déficit público dos EUA, hoje na casa dos 15 trilhões de dólares. Continue reading “As vacas magras dos trabalhadores nos EUA” »

Quem pressiona pela alta dos juros

Em três textos didáticos, Luís Nassif atira: grandes aplicadores e mídia tentam criar “consenso” interesseiro; estratégia montada por Dilma pode estar furada

A inutilidade do gradualismo cambial

(Quarta, 20/04/2011 – 09:58) Não vai dar certo essa estratégia gradual para inverter a política monetária e a apreciação do real.

No ano passado, antes mesmo de terminadas as eleições, a futura equipe econômica de Dilma Rousseff montou a estratégia que consistia em uma alteração lenta e segura da rota da política monetária.

Primeiro, a Fazenda abrandaria as criticas contra o excesso de conservadorismo da era Henrique Meirelles, passaria a defender um cambio em moderadamente desvalorizado e a enfatizar a importância de se manter os juros como pilar central da política monetária.

De seu lado, o Banco Central passaria a introduzir as chamadas medidas prudenciais, tentar ampliar o universo de pesquisas da Focus (que hoje em dia mede exclusivamente as expectativas de economistas de mercado), começar a desenvolver novas planilhas de medição da inflação a fim de permitir ao mercado segurança para aceitar as mudanças propostas.

Essa estratégia lenta, gradual e segura foi atropelada pelos fatos. Mais especificamente pelo choque de liquidez arquitetado pelo FED, o BC norte-americano.

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FMI: o novo discurso e as ideias de sempre

Por que o Fundo Monetário Internacional obriga os países europeus a um programa doloroso e destinado ao fracasso — embora seus dirigentes preguem políticas de sentido oposto. Por Mark Weisbrot, no The Guardian | Traduzido e publicado pelo Vi o Mundo


No momento em que o Fundo Monerário Internacional (FMI) e o Banco  Mundial reúnem-se em Washington para seus encontros anuais da primavera [nórdica], surgem debates sobre quanto mudou o FMI. O diretor-gerente Dominique Strauss-Kahn citou John Maynard Keynes em seu discurso de quarta-feira na Brookings Institution:

As falhas mais aparentes da sociedade econômica em que vivemos são sua incapacidade de dar pleno emprego e sua distribuição arbitrária e desigual de riqueza e renda.

Em seu discurso inaugural nos encontros do outono do ano passado, ele foi além, tratando do aumento da dívida pública em países de alta renda em termos que deveriam ser leitura obrigatória para os jornalistas econômicos dos Estados Unidos: Continue reading “FMI: o novo discurso e as ideias de sempre” »

O declínio da Saúde inglesa

O Gill Street Health Care Center é um dos muitos centros hospitalares que apresentam problemas em Londres. Foto de Alfonso Daniels

O Gill Street Health Care Center é um dos muitos centros hospitalares que apresentam problemas em Londres

Como os cortes orçamentários e privatizações estão gerando caos no atendimento público — e abriram uma crise política que obrigou o governo a recuar. Por Alfonso Daniels, Opera Mundi

Em meio a edifícios semidestruídos no humilde bairro de Tower Hamlets, no leste de Londres, e muito próximo da futura zona olímpica, ergue-se um dos muitos centros médicos públicos espalhados pela cidade. Diante do prédio, uma dona de casa bengalesa de 40 anos que se apresenta como Tara, uma das milhares de imigrantes que lá vivem, afirma indignada que tem de esperar mais de três meses para ser atendida por um médico especialista, embora o tempo máximo de espera seja, em teoria, de 21 dias.

“Um amigo que sentia dores no corpo levou semanas para conseguir consultar um médico de família, que lhe receitou alguns comprimidos”, conta ela. “No começo, ele disse que era tuberculose. Depois, câncer. Meu amigo teve de esperar meses para consultar um especialista e acabou morrendo. Sofria de uma doença pulmonar. Neste país, se você é pobre e fica doente, está perdido”. Continue reading “O declínio da Saúde inglesa” »

Reforma política: mudar tudo será a melhor opção?

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Em três semanas, a comissão criada por José Sarney reescreveu nosso sistema político. Mas o Congresso estará à altura das transformações que ela propõe?

Por Marcos Coimbra

Se não precisar de mais tempo, a Comissão Especial do Senado para a reforma política concluirá seus trabalhos na terça-feira 5, quando a última reunião prevê a sistematização dos trabalhos e a apresentação das conclusões.

Louve-se o empenho com que José Sarney cumpriu o compromisso de constituí-la e lhe dar condições de funcionamento. Quando indicou alguns dos nomes mais conhecidos do Senado, garantiu que a comissão não seria apenas mais uma. Seus 15 integrantes são uma espécie de elite da Casa, com dois ex-presidentes da República, ex-governadores de diversos partidos e lideranças respeitadas. Sentindo-se no dever de dar uma satisfação à opinião pública, todos se esmeraram no cumprimento da agenda, de forma a não frustrar as expectativas de que tirariam a reforma do papel.

Dos estudos e discussões da comissão sairá um anteprojeto, que ainda terá de ser apreciado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ) antes de ser submetido ao Plenário. O resultado irá depois para a Câmara, onde outra comissão com objetivos semelhantes está funcionando (em ritmo menos acelerado). É muito chão pela frente. Até subir à sanção presidencial, seu texto ainda passará por várias mudanças.

Embora isso seja verdade, o caráter ilustre da comissão pode inibir as discussões ao longo de sua tramitação. É natural, por exemplo, que os nove senadores do PSDB tenham dificuldade de votar contra uma proposta defendida por Aécio Neves. Ou que os quatro do PP sejam contrários a algo que Francisco Dornelles aprovou exercendo a presidência. E que os quatro do DEM rejeitem as teses de Demóstenes Torres.

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Retrocesso econômico: o ministro que se deve ouvir

Entrevista de Guido Mantega não esclarece motivo ​​​​​para alta de juros e cortes no Orçamento. Recomenda-se, para tanto, questionar um ministro mais poderoso

Dos vários passos atrás ensaiados pelo governo Dilma Roussef, em relação a seu antecessor, o mais expressivo é a política econômica. Aqui, não há apenas perspectivas futuras – mas setores sociais lucrando ou sofrendo perdas imediatas. Em nome da austeridade fiscal, o Palácio do Planalto rejeitou um aumento real do salário mínimo e está realizando cortes importantes no Orçamento federal.

A mesma postura não prevaleceu, porém, em relação aos juros pagos pelo Estado. Eles subiram 0,5 pontos percentuais em 19 de janeiro (para 11,25% ao ano) e há quem fale que voltarão a ser elevados esta semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reunir. Como a dívida pública total está em torno de R$ 1,6 trilhão, cada ponto percentual a mais, na taxa de juros, custa aos cofres públicos cerca de R$ 16 bilhões – cerca de dez vezes o orçamento total do ministério da Cultura para 2011…

Por isso, vale a pena ler a entrevista com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, publicada na Folha de S.Paulo, este domingo (e reproduzida ao final deste post). Honesto, Mantega não usa o argumento de praxe para justificar a elevação dos juros. Não se trata, diz ele, de arma para combater a inflação (em torno de 6% ao ano). Para contê-la, explicou o ministro, o governo tem instrumentos muito mais eficazes. Pode, por exemplo, aumentar a retenção obrigatória dos depósitos bancários (o “compulsório”), o que reduz imediatamente o crédito disponível para o público e, com isso, o consumo.

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Grécia: a primeira greve geral do ano

Em Atenas, mais de 200 mil pessoas manifestam-se contra “ajuste fiscal” do ano passado. Há confrontos com a polícia

Da Agência de Notícias Anarquista, ANA

Milhares de pessoas aderiram hoje (23/2) à primeira greve geral do ano na Grécia contra as medidas de austeridade do governo. Na manifestação em Atenas participam mais de 200 mil pessoas, com diversos cortejos. Enfrentamentos entre manifestantes e policiais antidistúrbios explodiram nas ruas da capital do país.

Os policiais, posicionados diante o ministério das Finanças, na praça central de Syntagma, lançaram gases lacrimogêneos e bombas de efeito moral contra os ativistas para fazê-los retroceder. Os protestantes, por sua parte, jogaram todos os tipos de objetos, principalmente coquetéis molotov contra as forças policiais. Junto ao parlamento há também registro de confrontos entre a polícia e os manifestantes.

Lojistas fecharam as portas e os serviços públicos pararam em toda a Grécia. Os hospitais ficarão 24 horas funcionando apenas em esquema de emergência. As escolas fecharam, e os transportes foram afetados. Vôos emergenciais foram autorizados apenas entre 10h e 14h (horário local), e os navios passarão todo o dia atracados nos portos.

Jornalistas aderiram ao protesto, levando a TV estatal a transmitir documentários, e as rádios a tocarem músicas.

[Veja a seguir tualizações da Greve Geral até às 17h37]

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A Europa em marcha-à-ré

Quebra da Irlanda confirma: “resposta” europeia à crise é a pior possível. Mas retrocesso continua, porque faltam alternativas e há um ganhador oculto: a poderosa máquina de exportação da Alemanha

Depois de semanas de relutância, o governo irlandês jogou a toalha domingo e pediu socorro à União Europeia (UE) e ao FMI. Receberá, nos próximos meses, um empréstimo que poderá chegar a 100 bilhões de euros. Como de praxe nestas operações, nenhum centavo irrigará a economia, muito menos a sociedade: tudo será destinado para remunerar os credores do país.

Aos irlandeses, caberá uma nova rodada de sacrifícios. Nos últimos meses, eles já haviam sido levados a aceitar um corte brutal nos direitos sociais (inclui reduções de salários e desmantelamento da assistência médica gratuita aos idosos, como mostra nossa matéria a respeito) e o resgate, pelo Estado, de três grandes bancos quebrados. Novas medidas serão anunciadas em 5 de dezembro. Mantidas em sigilo, elas parecem graves a ponto de levarem o primeiro-ministro, Brian Cowen, a prometer, para o início do próximo ano, eleições antecipadas – que provavelmente liquidarão seu mandato, mas não diminuirão o retrocesso social.

A quebra da Irlanda segue-se à da Grécia e, salvo em caso de reviravolta, será acompanhada em breve pela de Portugal e da Espanha. Itália e a própria Inglaterra – um dos grandes centros financeiros do mundo – estão intranquilas. A Europa, que no pós-II Guerra estabeleceu formas inovadoras de criar e distribuir riqueza e instituiu o Estado de Bem-Estar Social, agora trocou de papéis. É a região do mundo de onde vem a resposta mais conservadora, burocrática e retrógradas à crise global.

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Greve pode revelar um Portugal menos europeu

No Velho Continente, ataque aos direitos continua: agora a vítima é a Irlanda

Pode ser a maior “greve geral de sempre”, segundo os próprios jornais conservadores. Nesta quarta-feira, 24/11, milhões de trabalhadores portugueses deverão cruzar os braços, atendendo a convocação da Central Geral de Trabalhadores do país, a CGTP. Eles protestam contra um “plano de austeridade” — a resposta do governo (dirigido pelo primeiro-ministro José Socrates, do Partido Socialista) à segunda onda da crise financeira mundial aberta em 2008.

O peso econômico de Portugal é reduzido, mas a importância política da greve, não. Da União Europeia (UE) têm surgido as piores reações contra a crise. Liderados pela primeira-ministra alemã, Angela Merkel, todos os governos do bloco que enfrentam dificuldades financeiras têm procurado reduzir despesas atacando direitos sociais (veja nossa reportagem a respeito). A atitude destoa tanto das políticas adotadas nos países do Sul (China, Índia e Brasil principalmente) quanto da postura híbrida pela qual optaram os Estados Unidos.

Na UE, eleva-se a idade mínima para aposentadorias, congela-se — ou mesmo rebaixa-se salários, elimina-se benefícios sociais. Exceto no caso da própria Alemanha, que se beneficia de uma poderosa máquina exportadora, as medidas não têm produzido resultados sequer em termos macroeconômicos. Mas estão em sintonia com uma regressão social e política mais profunda e preocupante, que inclui o crescimento dos partidos de extrema-direita e a desorientação generalizada da esquerda.

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