Documentário sobre preparativos da Copa da África do Sul de 2010 aponta exigências absurdas ao país anfitrião, que impedem qualquer benefício para sua população
Na Pública
O Brasil se prepara para receber a Copa do Mundo em 2014, anunciada pelo governo e pela FIFA como uma grande oportunidade para o país. Trabalhadores teriam mais empregos, comerciantes lucrariam mais, e a população das 12 cidades sede se beneficiaria com investimentos em infraestrutura que perdurariam depois dos eventos.
Mas o documentário que o jornalista Rudi Boon fez para a holandesa VPRO em 2009, quando os africanos viviam a efervescência do pré-Copa, mostra que podemos estar vivendo uma grande ilusão. O país que recebe o megaevento é mais cenário do que ator, e sua população perde direitos básicos, vigiada até no uso da linguagem: os africanos, por exemplo, não podiam usar o termo Copa do Mundo, nem Copa da África do Sul, ou Copa 2010, nem pintar esses dizeres em camisetas e souvenirs.
As tradições culturais foram instrumentalizadas, a população perdeu espaços coletivos e os produtos comercializados em qualquer local próximo aos estádios eram decididos pela FIFA. Essas regras também fazem parte do acordo do Brasil com a FIFA para 2014. Assista aqui o documentário:
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De maneira alguma podemos dizer que várias medidas prejudicarão grande parte da população, mas foi o Brasil que escolheu receber o evento, sabendo das implicações sociais que isso acarretaria. Por mais hábil que tenha sido o governo de Lula ele aceitou tais efeitos colaterais quando cando candidatou o país como cede do evento.
Uma coisa, porém, me deixou muito intrigado no texto: quem vigiaria os brasileiros quanto a utilização do termo ‘Copa do mundo’? Isso não faz muito sentido, principalmente no meu estado onde o comércio de produtos falsificados são facilmente encontrados.
”O país que recebe o megaevento é mais cenário do que ator, e sua população perde direitos básicos (…)” A Meia-entrada está indo, a Geral já foi há anos e a cerveja é só pros gringos. Viva a Copa 2014!