Wikileaks: Lula desafia mídia a defender liberdade de expressão

“É engraçado: prenderam o rapaz que denunciava a diplomacia americana e não vejo nenhum jornal defendê-lo”

A repercussão internacional em torno da prisão de John Assange ganhará, nas próximas horas, um novo ingrediente: a fala de Lula, em defesa do fundador do Wikileaks, na manhã desta quinta (9/12). Ao discursar, de improviso, numa solenidade de avaliação dos resultados do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente defendeu Assange de forma aberta e eloquente. Aproveitou para lançar farpas contra dois dos seus principais adversários, durante oito anos de governo: a diplomacia norte-americana e a mídia brasileira.

O cutucão contra Washington está implícito no próprio posicionamento de Lula, em defesa de um jornalistas que o Departamento de Estado quer ver preso e alguns congressistas norte-americanos, morto. Mas Lula foi além. Ironizou “a diplomacia que parecia a mais certa do mundo”, dizendo que “só falta saber se puseram cartazes como no tempo do faroeste, com a foto do rapaz e o ‘procura-se, vivo ou morto’”. Emendou: “se algum dos meus embaixadores não tiver nada que escrever, não escreva bobagens. Passe em branco a mensagem”.

Já as empresas que controlam os meios de comunicação brasileiros foram tratadas com ironia. “Agora, eu não vejo ninguém defender a liberdade de imprensa. Prenderam o rapaz que denunciava os podres da diplomacia americana e eu não tou vendo nenhum protesto contra [o ataque a] a liberdade de expressão. É engração, não tem nada. Nada”. Ao final deixou clara sua posição: “Pode botar no Blog do Planalto o primeiro protesto (…) Wikileaks, minha solidariedade pela divulgação das coisas e meu protesto contra [o ataque a] a liberdade de expressão”

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