Histórias latino-americanas de alguém que tornou a profissão melhor por saber que, num mundo desigual, não é possível ser neutro
Por Mauro Santayana, em seu blog
A morte de Neiva Moreira reclama algumas reflexões sobre o jornalismo e a política. A imprensa nunca foi inocente. Os donos de jornais – mas, da mesma forma, os jornalistas – atuam de acordo com seus interesses e suas idéias, e dessa atuação não se ausenta a questão fundamental do homem, a do poder.
A vida de Neiva Moreira foi a de excepcional jornalista engajado. Embora fosse de uma grande família no Maranhão, nascera em seu ramo menos afortunado, filho de modestíssimo comerciante, e em uma das mais pobres comunidades do Estado, embora com o nome de Nova Iorque. Como todo menino pobre que se torna órfão – em seu caso beneficiado pela sobrevivência da mãe professora, que incentivou suas leituras – Neiva teve que trabalhar tão logo o corpo permitiu. Vendedor de quitandas, ajudante de barqueiros, cobrador de mensalidades de pequena associação, ele se fez do melhor barro humano.
Como a maioria dos jornalistas daquele tempo, Neiva não chegou a concluir o curso médio. Desde a adolescência, sua formação se fez nas redações. Quando São Luís se tornou pequena para o jovem de 25 anos, que já se destacara como dos grandes redatores da cidade, Neiva buscou o Rio. Nos anos seguintes seu nome se firmaria como um dos mais atilados repórteres e analistas políticos brasileiros, preocupado com o inquietante jogo do poder, em seu estado, no país e no mundo. Continue reading “Morre Neiva Moreira, jornalista e rebelde” »
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